Grupo de Médicos Pede Afastamento de Advogado do CREMESP por Acusações de Violência e Exige Auditoria em Contas de R$ 300 Milhões
Movimento alega que a permanência do profissional, que responde a processos por crimes contra vulneráveis, compromete a ética e a integridade do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
Um grupo de médicos e médicas formalizou dois requerimentos junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) pedindo o afastamento imediato de um advogado do quadro de funcionários da autarquia e a contratação de uma auditoria externa independente para fiscalizar as contas da entidade, cujo orçamento anual supera R$ 300 milhões.
A mobilização tem como base graves acusações que pesam contra o advogado, incluindo um inquérito por estupro de vulnerável e uma ação penal por estelionato de vulnerável. Segundo o grupo, a permanência do funcionário em uma instituição que deve zelar pela ética e proteção da sociedade é insustentável e representa um risco à imagem e credibilidade do CREMESP.
Dra. Juliana C. Vieira, porta-voz do movimento e filha de médico, conecta o caso à epidemia de violência contra a mulher e a morosidade da justiça no Brasil, um país onde os casos de feminicídio e tentativas de feminicídio continuam a crescer.
“Quando um documento judicial resume um inquérito por estupro de vulnerável arquivado em 2016, uma ação penal por estelionato de vulnerável ainda com audiência marcada para 2026 e outro procedimento sem desfecho claro, o que salta aos olhos não é apenas a cronologia: é o tamanho da vulnerabilidade de quem depende da proteção do Estado. Não se trata de caso isolado, mas de um alerta sobre como a violência contra mulheres e pessoas vulneráveis pode atravessar anos sem resposta definitiva", afirma a Dra. Juliana.
O grupo argumenta que a inação do CREMESP diante de acusações tão sérias mancha a reputação da classe médica e envia uma mensagem de conivência com a impunidade.