POLÍTICA MONETÁRIA

Diretor do Fed cogitou apoiar corte de juros, mas mantém cautela diante de Ormuz

Christopher Waller, do Federal Reserve, avalia riscos de inflação com alta do petróleo e prega prudência nas decisões sobre juros.

Publicado em 20/03/2026 às 10:36
Christopher Walle Assessoria

O diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, revelou que devemos apoiar um corte nas taxas de juros durante a reunião de março, após o fraco relatório de emprego (payroll) de fevereiro. No entanto, destacou que a inflação voltou a ser uma preocupação relevante devido ao aumento das pressões inflacionárias provocadas pelo fecho do Estreito de Ormuz.

“Se o preço do petróleo se mantiver elevado por meses seguidos, em algum momento isso afetará a inflação subjacente. Um choque petrolífero elevado e persistente não pode ser ignorado pelo Fed e não terá um impacto transitório na inflação”, afirmou Waller em entrevista à CNBC nesta sexta-feira, 20.

O dirigente ponderou ainda que, caso os efeitos das tarifas não se dissipem até o segundo semestre deste ano, a situação tende a se complicar. “Acredito que, se os efeitos das tarifas não diminuírem, teremos desafios adicionais”, avaliou.

Apesar das incertezas, Waller ressaltou que os mercados não demonstram desancoragem das expectativas inflacionárias e, superados os impactos das tarifas, a inflação deve ceder. “O Fed está avançando no controle da inflação, que pode estar próxima de 2% agora, mas é mantido em patamar mais elevado pelas tarifas”, explicou.

Para Waller, o cenário atual exige maior cautela, mas isso não significa necessariamente manter os juros inalterados durante todo o ano. “Posso voltar a defender cortes de juros mais futuros neste ano, caso o emprego esteja fraco”, detalhando, acrescentando que não vê necessidade de considerar uma alta de juros neste momento.