MERCADO FINANCEIRO

Dólar sobe em meio à cautela global por guerra no Oriente Médio

Moeda americana avança diante de temores inflacionários e instabilidade geopolítica, enquanto petróleo oscila e cenário interno adiciona pressão.

Publicado em 20/03/2026 às 10:14
Dólar sobe em meio à cautela global por guerra no Oriente Médio Reprodução

O dólar opera em alta na manhã desta sexta-feira, 20, acompanhando o movimento global de valorização da moeda americana e a elevação dos rendimentos dos Treasuries e Gilts. O avanço reflete a cautela dos investidores diante dos possíveis impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio sobre as principais economias, em um dia de agenda econômica esvaziada.

Os contratos futuros de petróleo seguem voláteis, com a commodity recuando recentemente após países europeus, Japão e Canadá anunciarem esforços conjuntos para garantir a navegação no Estreito de Ormuz. Além disso, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sinalizou a possibilidade de suspensão de sanções ao petróleo iraniano já em alto-mar nos próximos dias.

Em Teerã, o aiatolá Mojtaba Khamenei afirmou que o Irã intensificará ações contra inimigos internos e externos após a morte do ministro Esmail Khatib em ataque de Israel, no 21º dia da guerra. Ele defendeu o reforço da segurança nacional e não foi visto em público desde que assumiu o cargo, após a morte do líder supremo Ali Khamenei.

No cenário europeu, Joachim Nagel, dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Bundesbank, afirmou que o BCE pode elevar juros já em abril caso a guerra pressione ainda mais a inflação. François Villeroy de Galhau, presidente do Banco Central da França, destacou que eventuais altas de juros serão avaliadas a cada reunião.

No Reino Unido, os rendimentos dos Gilts de 10 anos atingiram o maior nível desde 2008 (4,942%), impulsionados pelos temores de inflação energética e pelo aumento do endividamento público, que chegou a £14,3 bilhões, acima das expectativas (£9,3 bilhões), o que reforça preocupações fiscais.

Na Rússia, o Banco Central reduziu a taxa de juros em 0,50 ponto percentual, para 15%, citando a desaceleração da inflação, mas alertando para a maior incerteza externa.

No Brasil, o investidor acompanha também o noticiário político e econômico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Fernando Haddad do Ministério da Fazenda e nomeou Dario Durigan para o cargo. Haddad é pré-candidato do PT ao governo de São Paulo.

Lula também sancionou lei que triplica os incentivos à indústria química e petroquímica em 2026, elevando o valor de R$ 1,1 bilhão para R$ 3,1 bilhões, com ajustes temporários de PIS/Cofins no Regime Especial da Indústria Química (REIQ).

O presidente viaja para a Colômbia neste sábado, onde participará da cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), em um encontro esvaziado, para evitar o enfraquecimento do bloco.

Pouco depois das 10h, o dólar à vista ganhou força e atingiu máxima de R$ 5,2562, alta de 0,78%.

Fernando César, operador sênior da AGK Corretora, destaca que o dólar reage à intensificação dos ataques no Oriente Médio e à volatilidade do petróleo. Segundo ele, às sextas-feiras é comum o mercado adotar postura mais defensiva, especialmente em período de guerra, buscando proteção na moeda americana e em ativos considerados seguros, como Treasuries e Gilts.

Além do cenário externo, fatores domésticos também adicionam pressão, afirma César, citando a delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que aumenta a incerteza, somada a medidas que impactam as contas públicas, como o subsídio ao diesel e a antecipação do 13º do INSS.