ESTUDO

64% dos brasileiros recorrem ao Google antes de comprar

Estudo inédito revela que, apesar da fragmentação da jornada digital, o consumidor brasileiro prioriza a validação do buscador para reduzir riscos e combater a desconfiança em anúncios e conteúdos sintéticos.

Por Assessoria Publicado em 20/03/2026 às 09:14

Apesar da ascensão meteórica das redes sociais e da consolidação da Inteligência Artificial, o Google permanece como o porto seguro inabalável do consumidor brasileiro no momento de abrir a carteira. De acordo com a pesquisa "O Mapa da Busca no Brasil", realizada pela Optimiza em parceria com a AB Pesquisas, 64% dos brasileiros recorrem espontaneamente ao Google como primeira opção quando precisam de informações para decidir uma compra. 

A dominância do buscador é sustentada por uma barreira física e estrutural. O estudo aponta que o Brasil é um mercado massivamente mobile-first, com 9 em cada 10 buscas por produtos ocorrendo via smartphone. Como 78% da amostra utiliza aparelhos Android, onde a barra de busca do Google é nativa e onipresente, a dificuldade técnica para utilizar outros concorrentes acaba protegendo a liderança da gigante de tecnologia.

Mesmo quando o consumidor é estimulado com outras opções, como TikTok, Instagram ou ChatGPT, a preferência pelo Google sobe para 72,4%. 

“O Google não desapareceu. A IA não tomou seu lugar. As redes sociais não viraram, sozinhas, o novo centro da decisão. O que aconteceu foi uma redistribuição de funções”, afirma a especialista em SEO Júlia Neves, CEO da Optimiza Marketing.

Um dos achados mais surpreendentes da pesquisa é o comportamento do usuário diante dos resultados pagos. O consumidor brasileiro amadureceu e 82% percebem a diferença entre anúncios e resultados orgânicos na página de busca.

Essa percepção crítica gerou um fenômeno novo na exploração dos resultados:

  • 55% dos usuários afirmam navegar além da primeira página de resultados em busca de respostas isentas.
  • A confiança nos resultados orgânicos (63%) supera drasticamente a dos anúncios, que possuem quase 20% de rejeição total.
  • Mais da metade dos entrevistados afirma que raramente ou nunca clica em links patrocinados.

O estudo desmistifica a ideia de que a Inteligência Artificial substituiria os buscadores a curto prazo. Em 2026, a IA atua como uma redutora de complexidade, ajudando a organizar informações e esclarecer dúvidas técnicas, mas raramente é o canal da transação final. 54,2% dos usuários veem a IA como um complemento ao Google, e não um substituto.

Por outro lado, os marketplaces, como Mercado Livre e Amazon, surgem como o verdadeiro desafio à soberania do Google na etapa de descoberta de produtos, liderando com 27,3% das menções contra 15,9% do Google Shopping.

Mesmo com o avanço de novas tecnologias, o Google segue como principal referência na decisão de compra dos brasileiros, impulsionado pela confiança e pela facilidade de acesso. A Inteligência Artificial e as redes sociais atuam como apoio, mas não substituem sua relevância. Ao mesmo tempo, o crescimento dos marketplaces indica uma mudança importante nos hábitos de busca por produtos. Esse movimento reforça a necessidade de estratégias mais integradas e focadas no comportamento do consumidor.