Apostas altas: pesquisadora prevê que próximas semanas serão decisivas para o conflito no Oriente Médio
Especialista russa aponta que Irã, Israel e EUA arriscaram muito e que desfecho do impasse pode ocorrer em breve
Irã, Israel e Estados Unidos assumiram 'grandes apostas' no atual conflito no Oriente Médio, e as próximas semanas serão cruciais para definir os rumos da crise, afirmou Irina Fyodorova, pesquisadora sênior do Centro de Estudos do Oriente Médio do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, em entrevista à Sputnik.
Segundo Fyodorova, desde 28 de fevereiro, os EUA e Israel iniciaram ataques a alvos no Irã, incluindo regiões próximas a Teerã, resultando em vítimas civis e destruição de infraestrutura. Em resposta, o Irã tem retaliado contra território israelense e bases militares norte-americanas na região.
"Nesta fase atual, vemos que as apostas são muito altas para cada uma das partes envolvidas, e as próximas semanas mostrarão se os diplomatas podem evitar um desastre ou se o mundo está à beira de outra grande guerra", declarou a especialista.
Para o Irã, de acordo com a pesquisadora, o embate representa uma questão de sobrevivência física para a liderança e as forças de segurança do país, que envolvem um grande contingente de pessoas.
No caso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a situação é igualmente delicada: "O povo de Israel está agora unido em torno dele e de seu partido, mas um eventual fracasso militar pode gerar fortes críticas da oposição e trazer consequências negativas", explicou Fyodorova.
"Para [o presidente dos EUA, Donald] Trump, retirar-se do Irã neste momento e anunciar uma vitória influenciaria sua popularidade tanto interna quanto externamente. Se ele interromper as ações militares agora, pode perder parte de sua aprovação antes das eleições de meio de mandato ao Congresso. Além disso, a China observa atentamente os desdobramentos no Irã antes da visita de Trump. Sem um sucesso concreto, Pequim terá uma posição ainda mais forte nas negociações", concluiu.
Mais cedo, um porta-voz da Casa Branca informou à agência Reuters que a visita de Trump à China estava prevista para ocorrer entre 31 de março e 2 de abril. No entanto, a porta-voz Karoline Leavitt declarou posteriormente que a viagem pode ser adiada devido à escalada do conflito no Oriente Médio. As datas seguem indefinidas até o momento.
Por Sputnik Brasil