ECONOMIA & INDÚSTRIA

Unipar enfrenta desafios do ciclo petroquímico em 2025, com quarto trimestre mais crítico

Mesmo diante de prejuízo no trimestre, empresa mantém investimentos e aposta em resiliência diante do cenário adverso

Publicado em 19/03/2026 às 21:28
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Unipar avalia que 2025 segue marcado pelos desafios do ciclo de baixa no setor petroquímico, assim como no ano anterior. Apesar desse cenário adverso, a companhia manteve seus planos de investimento, com o objetivo de estar preparada para aproveitar oportunidades quando houver melhora no ambiente de negócios. O quarto trimestre, entretanto, foi impactado por eventos não recorrentes, resultando em prejuízo para a empresa.

Mesmo com preços de PVC e soda em níveis baixos, pressionando os resultados, a Unipar conta com a vantagem competitiva de produzir cloro, insumo fundamental para o setor de saneamento. "Isso colaborou muito para a resiliência dos bons resultados da Unipar, mesmo em um ambiente de ciclo petroquímico desfavorável", afirma Rodrigo Cannaval, presidente da companhia.

No acumulado do ano, a empresa registrou lucro líquido de R$ 482 milhões, uma queda de 13% em relação a 2024. O Ebitda atingiu R$ 948 milhões, alta de 17% na mesma base comparativa. A margem Ebitda ficou em 22%, representando avanço de 5 pontos percentuais sobre o ano anterior.

No quarto trimestre, o cenário foi mais desafiador: a Unipar teve prejuízo líquido de R$ 7 milhões, frente ao lucro de R$ 293 milhões no mesmo período de 2024. O Ebitda também recuou 71%, para R$ 125 milhões, e a margem caiu para 10%, uma redução de 17 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre do ano anterior.

"O quarto trimestre foi de parâmetros macroeconômicos desafiadores, com preços de PVC e soda em queda no mercado internacional, além da desvalorização do dólar frente ao real. A combinação desses fatores pressionou nossos resultados para baixo", explica Cannaval, citando ainda ajustes de estoques entre os efeitos não recorrentes.

O CEO ressalta, contudo, que os números do trimestre "não tiram o brilho do resultado de 2025 como um todo": "Foi um ano complexo no aspecto macroeconômico, mas de certa forma estruturante para a Unipar", destaca.

Entre as medidas estruturantes, está o projeto de modernização da unidade de Cubatão. De 2022 a 2026, o plano de investimentos nesse projeto soma mais de R$ 1 bilhão. Em dezembro, a empresa paralisou a tecnologia antiga, que utilizava mercúrio, um marco importante para a companhia, segundo Cannaval.

Para 2026, o executivo aponta que a volatilidade dos preços de commodities, influenciada pela guerra no Irã, é o principal fator de atenção. Ele observa que os preços de PVC e soda subiram, mas as matérias-primas também ficaram mais caras.

Segundo Cannaval, "é preciso transformar o desafio em oportunidade, aproveitando os descasamentos de preços para buscar negociações mais vantajosas".

No longo prazo, ele avalia que uma alta persistente das matérias-primas pode levar ao fechamento de unidades produtivas de alto custo no setor petroquímico global, o que, com a redução da oferta, poderia melhorar as margens do segmento.