Setor elétrico entra em 2026 com crise de liquidez, distorções de preço e pressão operacional
Rio de Janeiro, 19 de março de 2026 - O setor elétrico brasileiro inicia 2026 diante de um cenário crítico, marcado por falta de liquidez no mercado, inconsistências na formação de preços e aumento da complexidade operacional do sistema. O diagnóstico foi compartilhado por executivos, reguladores e especialistas durante o Agenda Setorial 2026, realizado nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL).
O presidente executivo da ABRACEEL, Rodrigo Ferreira, afirmou que o segmento de comercialização enfrenta a maior crise dos últimos 20 anos. Segundo ele, a combinação entre preços imprevisíveis, redução de liquidez e dificuldades de contratação tem afetado diretamente consumidores, geradores e comercializadores.
Ao longo do evento, a formação de preços foi apontada como um dos principais pontos de tensão do setor. O CEO da Volt Robotics, Donato Filho, destacou situações em que há corte de geração renovável simultaneamente a preços elevados, indicando distorções na sinalização econômica. Para ele, os modelos atuais ainda não conseguem refletir com precisão a operação real do sistema.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reforçou que o avanço das fontes renováveis trouxe uma nova dinâmica à operação. Segundo o diretor de Planejamento, Alexandre Zucarato, os modelos são necessariamente simplificações da realidade e enfrentam limitações para representar um sistema cada vez mais complexo dentro do tempo exigido para o cálculo.
Já o diretor de Operações do ONS, Christiano Vieira, destacou que o desafio deixou de ser apenas atender picos de demanda e passou a incluir também períodos de baixa carga, exigindo maior capacidade de adaptação ao longo do dia.
No campo estrutural, representantes do setor privado apontaram que o crescimento acelerado da oferta, impulsionado por subsídios no passado, combinado com a expansão da geração distribuída, contribuiu para o atual desequilíbrio entre oferta e demanda.
Diante desse cenário, especialistas convergiram na necessidade de ampliar a flexibilidade do sistema, com o desenvolvimento de novos produtos, serviços e mecanismos que permitam melhor adaptação às variações de carga e geração.
Para a diretora da PSR, Angela Gomes, o momento exige pragmatismo. “Não podemos esperar o modelo ideal. Precisamos avançar com o que é possível hoje para evitar que os problemas se agravem no futuro”, afirmou.
O evento evidenciou que o setor entra em um novo ciclo, em que o alinhamento entre operação, modelos e sinais econômicos será determinante para garantir segurança, eficiência e viabilidade do mercado.
Sobre o Agenda Setorial
O Agenda Setorial 2026 se consolida como um dos principais fóruns de discussão do setor elétrico brasileiro, com foco na agenda político-regulatória, operação do sistema e evolução do mercado. Organizado pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), o evento apresenta, anualmente, os temas prioritários que devem orientar decisões públicas e privadas no setor. A programação reúne painéis técnicos sobre formação de preços, planejamento, expansão e segurança energética. O encontro também promove o debate entre agentes, reguladores e formuladores de políticas. A proposta é contribuir para o alinhamento de visões e o avanço de soluções estruturais para o setor.