Ao lado de Takaichi, Trump compara ataque ao Irã à ofensiva japonesa em Pearl Harbor
Presidente dos EUA diz que não avisou aliados sobre ação militar, citando surpresa japonesa em 1941; comentário ocorreu durante visita da premiê do Japão à Casa Branca.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, justificou nesta quinta-feira (19) a decisão de não informar aliados sobre a intenção de atacar o Irã, ao afirmar que o Japão também não avisou sobre o ataque a Pearl Harbor, em 1941. A declaração foi feita ao lado de Sanae Takaichi, primeira-ministra japonesa, durante visita oficial à Casa Branca, em Washington.
Questionado pela imprensa sobre o motivo de não ter comunicado aliados acerca dos ataques conjuntos com Israel contra o Irã, Trump respondeu fazendo referência ao episódio histórico de Pearl Harbor.
"Não contamos a ninguém porque queríamos fazer uma surpresa. Quem entende melhor de surpresas do que o Japão, certo? Por que vocês não nos contaram sobre Pearl Harbor, entendeu?"
Takaichi manteve postura reservada diante do comentário, enquanto algumas pessoas presentes no Salão Oval reagiram com risos. O ataque a Pearl Harbor resultou na morte de mais de 2.400 americanos e foi determinante para a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
Quatro anos depois, em 1945, os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas sobre o Japão, causando a morte imediata de cerca de 35 mil pessoas e, segundo estimativas, mais de 100 mil vítimas nos anos seguintes devido à radiação.
O episódio desta quinta-feira soma-se a outros momentos constrangedores protagonizados por Trump no Salão Oval. Em fevereiro, o presidente criticou publicamente o líder ucraniano, Vladimir Zelensky, pela falta de gratidão aos EUA. Já em maio, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa foi alvo de acusações sem provas sobre perseguição a brancos em seu país.