TENSÃO NA UNIÃO EUROPEIA

Líderes da UE criticam Orbán por veto a empréstimo à Ucrânia e apontam uso eleitoral

Primeiro-ministro húngaro é acusado de bloquear ajuda vital a Kiev para favorecer campanha interna e desafiar decisões do bloco europeu.

Publicado em 19/03/2026 às 19:33
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán AP Photo/Alex Brandon, Pool

Líderes da União Europeia (UE) criticaram publicamente o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, acusando-o de bloquear ajuda essencial à Ucrânia e de minar o processo decisório do bloco em benefício de sua campanha eleitoral. Em um movimento raro, os chefes de Estado e de governo da UE exigiram que Orbán respeite o compromisso coletivo de financiar as forças armadas e a economia ucraniana, devastada pela guerra, pelos próximos dois anos. Embora Orbán tenha inicialmente apoiado o pacote considerado vital para a Ucrânia, posteriormente vetou a medida.

“Ele está usando a Ucrânia como arma em sua campanha eleitoral, e isso não é bom. Tínhamos um acordo, e acho que ele nos traiu”, afirmou o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo. A economia ucraniana enfrenta graves dificuldades, e autoridades europeias defendem a liberação de parte dos 90 bilhões de euros em empréstimos até o início de maio. Para isso, o acordo precisa avançar nas próximas semanas.

Orbán, conhecido por sua proximidade com o presidente russo Vladimir Putin e admirado pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump, enfrenta queda nas pesquisas antes das eleições de 12 de abril. Em sua campanha, tem retratado o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky como uma ameaça à Hungria, alegando que Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, querem arrastar o país para a guerra contra a Rússia. Orbán afirma que sua reeleição é a única garantia de paz e segurança para os húngaros.

As críticas dos líderes da UE se intensificaram. O chanceler alemão Friedrich Merz defendeu que todos os 27 Estados-membros respeitem a decisão conjunta tomada em dezembro. “O princípio orientador da União Europeia é de lealdade e confiabilidade”, declarou Merz.

Na véspera da cúpula, Merz acusou Orbán de “bloquear a Europa por razões políticas internas e por causa de uma campanha eleitoral”. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, afirmou ser “inaceitável decidir com os líderes e depois dizer ‘mas não estou pronto para executar o que decidi’”. Já o chanceler austríaco, Christian Stocker, considerou inválido o argumento eleitoral diante da gravidade da situação na Ucrânia. O impasse evidenciou fragilidades nos procedimentos decisórios da UE, que frequentemente exigem unanimidade entre os 27 países.

Fonte: Associated Press.

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