ENERGIA & INFRAESTRUTURA

Contratação de potência hidrelétrica no LRCap poderia ser maior, diz presidente da Abrage

Marisete Pereira destaca que preços do leilão não refletem custos do setor e defende ajustes para ampliar participação hidrelétrica.

Publicado em 19/03/2026 às 18:38
A presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Marisete Pereira Reprodução / Instagram

A contratação de 2,5 gigawatts (GW) de potência hidrelétrica no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) poderia ter sido maior caso o sinal de preços estivesse mais alinhado aos custos do segmento, avaliou a presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Marisete Pereira.

“O leilão trouxe um preço competitivo, mas a contratação não foi maior em função de ele não refletir o custo desses equipamentos”, afirmou durante o evento Agenda Setorial, realizado no Rio de Janeiro.

Ainda assim, Marisete considera que o resultado é relevante para o setor, pois amplia a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente diante das respostas rápidas exigidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

“O Plano Decenal de Expansão de Energia, em consulta pública, já indica rampas que podem chegar a mais de 70 GW. Então, como não trazer esse atributo para o sistema?”, questionou.

Segundo ela, a chamada rampa refere-se à variação entre demanda e geração de energia elétrica. No final da tarde, quando a geração solar fotovoltaica diminui, o consumo aumenta significativamente, sobretudo com o acendimento das luzes. Esse momento de rampa — de descida e subida — é considerado de grande vulnerabilidade para o sistema.

“Grande parte da desestruturação do SIN é a falta de preço adequado. Precisamos trabalhar para que os preços avancem. Caso contrário, continuaremos vendo a demanda máxima crescer 23% entre 2020 e 2025, enquanto a capacidade instalada aumentou 47%, como mostra o ONS”, enfatizou.