Petróleo fecha em alta com tensão no Oriente Médio e apoio de aliados dos EUA
Ataques do Irã a infraestruturas energéticas e medidas de aliados americanos impulsionam volatilidade nos preços do petróleo.
O preço do petróleo encerrou o pregão desta quinta-feira em alta, com o Brent se afastando das máximas intradiárias, após chegar ao pico de US$ 119 por barril. O movimento reflete os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, marcado por ataques do Irã a importantes infraestruturas energéticas em países vizinhos. Em resposta, aliados dos Estados Unidos anunciaram medidas para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e reforçar o apoio ao mercado de energia.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio registrou avanço de 0,09% (US$ 0,09), fechando a US$ 95,55 o barril. Já o Brent para maio subiu 1,18% (US$ 1,27), encerrando a sessão a US$ 108,65 o barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Durante as máximas do dia, tanto o WTI quanto o Brent atingiram os maiores patamares em dez dias, cotados a US$ 100,48 e US$ 119,13, respectivamente.
Os ataques do Irã a instalações energéticas em todo o Oriente Médio ocorreram em resposta a uma ofensiva contra seu campo de gás em South Pars. O episódio mais recente envolveu o bombardeio de uma refinaria em Israel. Países aliados dos EUA condenaram as ações iranianas e solicitaram a reabertura total do Estreito de Ormuz, comprometendo-se com medidas para estabilizar o mercado de energia, incluindo o aumento da produção de petróleo.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo americano poderá realizar uma nova liberação das reservas estratégicas de petróleo para evitar uma escalada ainda maior nos preços da energia.
De acordo com a Reuters, o desconto entre os contratos futuros do WTI em relação ao Brent atingiu, na quarta-feira, o maior nível em 11 anos.
Segundo o Goldman Sachs, essa diferença reflete a possibilidade de restrições às exportações dos EUA, hipótese negada pelo secretário de Energia, Chris Wright, nesta quinta-feira.
Para Phil Flynn, analista do Price Futures Group, a pressão sobre o Brent é maior por ser o principal benchmark global, fortemente atrelado ao petróleo do Oriente Médio. "Isso ameaça diretamente as exportações e adiciona ao Brent um prêmio de risco geopolítico elevado. O WTI, por sua vez, é mais protegido por ser um ativo baseado em terra, voltado ao mercado americano", explica.
No cenário paralelo, a Arábia Saudita conseguiu ampliar suas exportações de petróleo, apesar das interrupções causadas pelo conflito, redirecionando os envios pelo Mar Vermelho.