IMIGRAÇÃO NOS EUA

Juiz americano nega asilo a criança equatoriana de 5 anos detida com o pai

Família recebeu ordem de deportação após operação do ICE em Minneapolis; advogados vão recorrer da decisão

Publicado em 19/03/2026 às 16:19
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Um juiz de imigração negou o pedido de asilo do menino equatoriano de cinco anos detido durante uma operação migratória no fim de janeiro pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis, segundo informou a advogada da família. A decisão determinou a deportação da criança e de seus familiares para o Equador.

Liam Conejo Ramos foi detido junto ao pai, Adrian Conejo Arias, permanecendo dez dias em um centro de detenção no Texas antes de ambos serem liberados e retornarem para casa. Uma imagem de Liam, usando um gorro azul de coelho diante de sua residência e cercado por agentes federais, ganhou repercussão nacional.

O juiz de imigração John Burns decidiu encerrar os pedidos de asilo de Liam e de sua família. Os advogados pretendem recorrer da decisão.

"Estamos profundamente decepcionados com a decisão equivocada do juiz", afirmou Danielle Molliver, advogada da família. "Seguiremos firmes no recurso e lutaremos pela família da melhor forma possível."

Segundo Molliver, o julgamento do recurso pode se arrastar por anos, mas ela espera que o governo pressione por um andamento mais célere do processo.

O caso mobilizou as redes sociais e ganhou destaque após o deputado democrata Joaquin Castro, em sua conta no Instagram, relatar que o pai de Liam foi preso a caminho de visitar o filho recém-nascido. Adrian Alexander Conejo Arias possui diplomas em biologia e ciências de laboratório clínico, além de ser beneficiário do programa Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), que oferece proteção contra deportação a imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças.

"Muitos beneficiários do DACA passam por um processo rigoroso; quem tem antecedentes não se qualifica. Ele está no programa desde 2012 e aguardava uma reforma imigratória que permitisse status legal permanente e caminho para a cidadania. Mas o governo Trump tem atrasado propositalmente as renovações, prolongando o processo até o DACA expirar antes da renovação", explicou o congressista em vídeo.

As prisões de Adrian e Liam e a ampla repercussão do caso ocorreram durante uma operação de milhares de agentes de imigração na região de Minneapolis, que resultou em protestos diários e na morte a tiros de dois cidadãos americanos por agentes federais.

Vizinhos e funcionários da escola de Liam acusaram agentes federais de usarem o menino como "isca", orientando-o a bater na porta de casa para que sua mãe saísse. O Departamento de Segurança Interna classificou essa versão como "mentira descarada". As autoridades alegam que o pai fugiu a pé, deixando o menino em um veículo na garagem, versão negada por ele.

O governo afirma que o pai do menino entrou ilegalmente nos EUA em dezembro de 2024. Já a defesa sustenta que ele entrou legalmente, solicitando asilo, o que lhe garantiria o direito de permanecer no país até o julgamento do pedido.

Com informações da Associated Press.