ACORDO

Lula relembra diplomacia nuclear com Irã e pede reforma do Conselho de Segurança da ONU

Publicado em 19/03/2026 às 16:18
© Sputnik Brasil / Guilherme Correia

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou nesta quinta-feira (19) a mediação nuclear conduzida pelo seu governo em 2010 com o Irã para criticar o que descreveu como décadas de intransigência ocidental no Oriente Médio. O ataque dos Estados Unidos e Israel ao país persa ocorreu em meio às negociações sobre o programa iraniano.

Lula também pediu uma reunião de emergência dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em meio a escalada do conflito na região.

Em evento realizado em São Paulo (SP), Lula mencionou a Declaração de Teerã, de maio de 2010, pela qual os iranianos concordaram em enviar urânio de baixo enriquecimento à Turquia em troca de combustível enriquecido destinado a um reator de pesquisa, em acordo mediado conjuntamente por Brasília e Ancara.

"Os Estados Unidos e a União Europeia, ao invés de aceitar o nosso acordo, aumentaram o bloqueio ao Irã", afirmou Lula

Na época, pouco depois de Lula proclamar o acordo um triunfo diplomático, a então secretária de Estado Hillary Clinton informou que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU haviam chegado a um entendimento para apertar ainda mais as sanções contra o Irã — exatamente o que o acordo Brasil-Turquia pretendia evitar.

Lula também comentou que o então presidente norte-americano Barack Obama lhe mandou carta endossando termos do acordo antes de sua assinatura. "O Obama mandou as carta para mim, dizendo que se o senhor [Mahmoud] Ahmadinejad fizesse aquilo que estava na carta, os Estados Unidos concordariam."

"Eu só entendi que isso aconteceu porque o Brasil não faz parte da elite dos países do Conselho de Segurança da ONU."

"Os americanos e os europeus fizeram, três anos atrás, um acordo pior do que aquele que nós fizemos. E agora, nós somos surpreendidos com os Estados Unidos, bombardeando o Irã", completou.

Crise do petróleo

Em meio à nova escalada militar no Oriente Médio, Lula enquadrou os eventos atuais pela mesma lente. "A gente não pode ter alguém achando que é dono do mundo e levanta de manhã: Eu vou tomar a Groenlândia, eu vou tomar o Canadá."

"Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã. Eu mesmo não concordo. Mas a gente tem que aprender a respeitar a autodeterminação dos povos", afirmou.

O presidente revelou ainda ter mantido conversas telefônicas nos últimos dias com os presidentes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin e da França, Emmanuel Macron, entre outros líderes com assento no Conselho de Segurança, instando-os a convocar sessão formal para enfrentar a proliferação de conflitos armados.

Além disso, ele disse estar redigindo artigo a ser publicado em jornais de cada país representado no Conselho. "O Conselho de Segurança, eles têm que se preocupar e evitar a guerra", afirmou, apontando que o mandato fundador do órgão — confiado às cinco nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial — não foi cumprido em uma série de conflitos recentes.

Lula comentou que o barril de petróleo de alta qualidade saltou de cerca de US$ 70 (R$ 364) para aproximadamente US$ 110 (R$ 573), pressionando os preços dos combustíveis no mercado doméstico brasileiro. Além disso, afirmou que o governo federal acionou a Polícia Federal, a Receita Federal e os Procons estaduais para investigar o que classificou como especulação abusiva por parte de distribuidoras. "Significa que nesse país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe, até com a fome dos pobres, até com a miséria dos outros."

"O mundo precisa de paz e não de guerra. O mundo precisa de educação e não de guerra. O mundo precisa de comida e não de guerra."

Lula também disse ter esperado um corte de pelo menos 1 ponto percentual nos juros básicos e recebeu apenas 0,25 ponto. "Eu esperava que o nosso Banco Central abaixasse o juro pelo menos 100%. E abaixou só 0,25 dizendo que é por causa da guerra."


Por Sputinik Brasil