DIREITOS BÁSICOS

Dia Mundial da Água: Brasil reduz pela metade o número de escolas sem acesso a água

UNICEF vem trabalhando para garantir o acesso seguro a água nas escolas e fortalecer a agenda de dignidade menstrual, especialmente em territórios vulneráveis

Por Assessoria Publicado em 19/03/2026 às 15:37
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Brasília, 19 de março de 2026 – Neste 22 de março, Dia Mundial da Água, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca os avanços do Brasil no acesso seguro a água nas escolas. De 2024 para 2025, segundo dados do Censo Escolar, o número de escolas públicas ativas sem nenhum acesso a água caiu pela metade, passando de 2.512 escolas (que atendiam 179 mil estudantes) para 1.203 escolas (com 75 mil estudantes). Com isso, cerca de 100 mil crianças e adolescentes passaram a ter acesso a água na escola. Garantir esse direito básico a cada menina e menino é uma das prioridades do UNICEF, que vem trabalhando junto ao poder público e parceiros para que isso seja realidade para todos e todas. 

 Os dados do Censo Escolar mostram que o acesso a água nas escolas é um desafio maior e mais predominante na zona rural. Em 2025, das 1.203 escolas com água inexistente, 96% (1.149) estavam na zona rural, enquanto apenas 4% (54) estavam na zona urbana. Além da desigualdade territorial, os dados revelam importantes disparidades no perfil dos estudantes afetados. As escolas sem acesso à água atendiam, prioritariamente, estudantes negros (cerca de 63%), o que evidencia a sobreposição entre desigualdades raciais e territoriais. Estudantes indígenas também representam um grupo relevante nesse contexto (13%), especialmente em áreas rurais e na Amazônia.  

“Escolas localizadas em áreas rurais apresentam, historicamente, um déficit em relação à cobertura do acesso a água. Este cenário reflete os desafios para a implementação de políticas públicas nos municípios, em especial, na Amazônia e Semiárido brasileiro”, explica Rodrigo Resende, Oficial de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil. “Para resolver o problema, é preciso uma soma de esforços interfederativos e interinstitucionais, em apoio aos territórios, com vistas à ampliação dos investimentos, fortalecimento de estratégias contínuas de capacitação de recursos humanos, bem como o engajamento e a participação ativa das comunidades. Deve-se, também, implementar soluções que considerem as especificidades locais, priorizando tecnologias sociais e incluindo o uso de fontes renováveis de energia, de forma a aumentar a resiliência climática frente à ocorrência de eventos extremos”, complementa.

Além de ser um problema maior na zona rural, a falta de acesso seguro a água também tem impactos diferentes para meninas e meninos. Embora o problema afete todos os estudantes, estar em uma escola sem água deixa meninas ainda mais vulneráveis. Em escolas com água inexistente elas enfrentam desafios adicionais, especialmente durante o período menstrual, não tendo o mínimo para sua higiene íntima e dignidade. Além disso, em uma escola sem água, é necessário sair do ambiente escolar e buscar água em outros locais, deixando meninas mais expostas ao risco de violências.  

“É hora de colocar as mulheres e as meninas no centro das soluções para o acesso a água. Quando as mulheres e as meninas têm voz igual nas decisões sobre a água, os serviços tornam-se mais inclusivos, sustentáveis e eficazes. Devemos investir na liderança das mulheres para tornar a água uma força para um futuro mais saudável, mais próspero e com igualdade de gênero, que beneficiará a todos nós”, defende Rodrigo Resende. 

A contribuição do UNICEF para o acesso seguro a água nas escolas 

Garantir o acesso a água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo humano, preparação de alimentos e práticas de higiene pessoal é fundamental para promover a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes na escola. Sabendo disso, o UNICEF, por meio do Programa de Água, Saneamento e Higiene, trabalha com foco no apoio ao fortalecimento de políticas públicas, tanto em nível nacional como local – alcançando os territórios mais vulneráveis – na Amazônia e Semiárido. 

Entre as principais ações desenvolvidas em nível local, destaca-se o Selo UNICEF, iniciativa em que engaja mais de 2.270 municípios para implementar ações integradas de água, saneamento e higiene, redução de riscos de desastres e resiliência climática centradas na infância. 

Além disso, em 2025, o UNICEF: 

  • Alcançou mais de 43 mil pessoas, beneficiadas diretamente com melhorias no acesso a serviços de água, saneamento e higiene, com ênfase em sustentabilidade, em resiliência climática e em equidade de gênero. 
  • Instalou 40 sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar no Amazonas, garantindo acesso contínuo, sustentável e resiliente à água potável para mais de 20 mil pessoas; 
  • Capacitou mais de 27 mil profissionais em curso EAD sobre o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) – com foco em água, esgotamento sanitário e infraestrutura em escolas rurais – desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação. 
  • Ampliou o acesso à água segura no território Yanomami, em Roraima, beneficiando mais de 12 mil pessoas, com soluções adaptadas ao contexto local e ações de melhoria da qualidade da água;  
  • Contribuiu com ações no território indígena Munduruku (Pará) e na região sul da Bahia, com foco no acesso a água segura em unidades de saúde e comunidades, incluindo melhorias em de sistemas de abastecimento e capacitação de profissionais e lideranças comunitárias; 
  • Beneficiou mais de 110 escolas rurais, indígenas e ribeirinhas nas regiões Norte e Nordeste, promovendo diagnósticos participativos, melhorias estruturais e ações de promoção de práticas de higiene e dignidade menstrual, incluindo soluções inovadoras como a cocriação de tecnologias sustentáveis de saneamento escolar na Amazônia, via hackathon
  • Contribuiu com assistência técnica e manteve um diálogo permanente com parlamentares, órgão de controle e gestores públicos, tendo em vista a aprovação do Projeto de Lei 5.696/2023, que culminou na sanção da Lei 15.276/2025, para garantir o acesso a água potável e infraestrutura sanitária nas instituições de ensino do país. 

Todas essas ações, em conjunto, vêm contribuindo para que o Brasil avance no acesso seguro a água em escolas e territórios vulneráveis, garantindo os direitos de meninas e meninos a uma vida digna e saudável. 

Para o desenvolvimento das iniciativas de Água, Saneamento e Higiene, o UNICEF no Brasil conta com o apoio de milhares de doadores individuais e de parceiros corporativos. Para isso, mantém parcerias estratégicas com Grupo Profarma, Instituto AEGEA e Takeda, além de parceria com WEG. O UNICEF no Brasil conta ainda com a parceria estratégica do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (Echo, na sigla em inglês), para ações de água, saneamento e higiene em emergências. 

Sobre o UNICEF 

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil. O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.