EMPRÉSTIMO CONSIGNADO

CEO do C6 contesta suspensão de consignados pelo INSS e questiona devolução de valores

Artur Ildefonso Brotto Azevedo afirma à CPMI do INSS que banco não praticou irregularidades e critica decisão do órgão

Publicado em 19/03/2026 às 13:38
Artur Ildefonso Brotto

O CEO do C6 Bank, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, declarou nesta quinta-feira (19), durante sessão da CPMI do INSS, que discorda veementemente da decisão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de suspender, há dois dias, a oferta de novos empréstimos consignados pela instituição, sob alegação de irregularidades. O INSS também solicita a devolução de R$ 300 milhões aos segurados. Segundo Azevedo, a devolução integral "não parece correta".

Azevedo reforçou a sua “convicção absoluta” de que o C6 Bank não cometeu nenhuma irregularidade. “Discordamos veementemente da decisão do INSS, porque temos a verdade de que não praticamos nenhuma irregularidade”, afirmou o executivo. "Unilateralmente, eles decidiram que deveriam devolver integralmente o valor a todos os beneficiários que contrataram legitimamente os produtos de forma totalmente transparente que acabei de descrever. Não nos parece correto fazer a devolução integral dos valores contratados legalmente com anuência clara e explícita dos contratantes."

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou se o C6 pretende devolver o valor exigido. Azevedo reiterou que, na sua avaliação, a devolução integral não é adequada.

A decisão do INSS foi tomada após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar pelo menos 320 mil contratos de consignado que continham seguros e pacotes de serviços embutidos, caracterizando uma possível venda casada.

Os auditores da CGU consideraram a irregularidade grave, pois reduz o valor do líquido do empréstimo concedido aos investidores.

O CEO do C6 negou a prática de venda casada. "Não praticamos, por exemplo, venda casada de nenhuma espécie. Quando conversamos sobre segurança da contratação, desenvolvemos tecnologia para garantir que o empréstimo seja feito apenas comprovante para os próprios beneficiários, inclusive com captura de biometria facial, de vida, verificação na base de dados governamentais do Serpro e depósito apenas na mesma conta em que uma pessoa recebe o benefício previdenciário", explicou.

A concessão dos consignados pelo C6 Bank ocorre por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS. Após a identificação das irregularidades, o ACT foi rescindido e o banco recorreu à Justiça para questionar a decisão.

De acordo com os auditores da CGU, o banco teria embutido indevidamente um seguro de R$ 500 nos contratos de consignado. O serviço, oferecido por uma garantia parceira, foi incluído nos empréstimos do banco, que tem o JP Morgan como um de seus acionistas.

Segundo dados obtidos pelo Estadão via Lei de Acesso à Informação, entre 2020 e 2025, o C6 Bank faturou R$ 20 bilhões com operações de crédito consignado.