EDUCAÇÃO

Unicef alerta para prejuízos da falta de acesso à água nas escolas

Educação, Unicef, Escola Pública, Saneamento Básico

Publicado em 19/03/2026 às 13:05

O número de escolas públicas ativas sem acesso à água caiu pela metade de 2024 para 2025, segundo dados divulgados em fevereiro pelo  Censo Escolar , mas ainda restaram 1.203 escolas em que cerca de 75 mil estudantes não têm garantia desse direito.

Às vésperas do Dia Mundial da Água, realizado no próximo domingo (22), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) defende apoio institucional às localidades para superar esse problema, destacando os impactos à higiene, à saúde, à qualidade da merenda escolar, à dignidade menstrual e a outros pontos essenciais para um bom aprendizado.

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O Unicef ​​ressalta que a situação é mais grave nas zonas rurais, onde estão localizadas 96% das escolas desabastecidas . De acordo com o oficial de Água, Saneamento e Higiene do Fundo das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Rodrigo Resende, esse é um déficit histórico que reflete os desafios para a implementação de políticas públicas nos municípios, especialmente na Amazônia e no Semiárido.

Resende recomenda que, para resolver o problema, é preciso uma soma de esforços de entes federativos e instituições para apoiar os territórios , ampliando os investimentos e fortalecendo a capacitação de técnicos e lideranças locais.

O engajamento e a participação ativa das comunidades são essenciais, complementando o oficial do Unicef, que também defende soluções que respeitem as especificidades locais e priorizem fontes renováveis ​​de energia.

Disparidades

Com o avanço no fornecimento de água no ano passado, mais de 100 mil estudantes passaram a acessar esse direito. Em 2024, 179 mil não tinham acesso à água em 2.512 escolas públicas, número que caiu para 75 mil no ano passado.

O perfil dos que continuam sem acesso a esse direito mostra disparidades sociais e raciais. Alunos negros são maioria nas escolas sem acesso à água, e havia também uma proporção relevante de crianças e adolescentes indígenas .

Resende também pontua que as mulheres e as meninas são mais vulneráveis ​​à falta ou precariedade do acesso à água, especialmente durante o período menstrual. 

O Fundo das Nações Unidas acredita que a falta de água acaba afastando as meninas da sala de aula nesses dias, ou obrigando as alunas a saírem do ambiente escolar em busca de um banheiro adequado, o que atrapalha seu aprendizado e aumenta a exposição à violência. 

Além de dificultar o consumo de água e a higiene dos alunos, o desabastecimento também impacta a preparação dos alimentos para a merenda escolar . Esses três pontos são considerados fundamentais pelo Unicef ​​para promover a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes na escola.

No ano passado, uma organização desenvolveu ações como a instalação de sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar no Amazonas e a ampliação dos sistemas que atendem ao território Yanomami, em Roraima. Mas a principal atuação do Fundo é o apoio público aos gestores, para fortalecer políticas.