Ibovespa recua com cautela global após Copom não sinalizar corte da Selic em abril
Tensões no Oriente Médio e incertezas sobre política monetária mantêm investidores em alerta e pressionam bolsa brasileira.
A escalada das tentativas no Oriente Médio, que impulsiona as cotações do petróleo, pressionou o Ibovespa para baixo na abertura do pregão desta quinta-feira, 19. O movimento ocorre após as decisões de juros anunciadas na quarta-feira, 18, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Nesta quinta, o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco Central Europeu (BCE) mantiveram as suas taxas de juros, conforme esperado pelo mercado.
As bolsas europeias e os principais índices de ações de Nova York operam em queda, refletindo o aumento das preocupações com os conflitos na região e uma agenda econômica menos significativa de indicadores. O temor quanto aos desdobramentos da guerra envolvendo EUA e Israel no Oriente Médio se intensifica diante da escalada dos ataques.
O Irã ampliou sua ataque contra a infraestrutura de energia dos países árabes do Golfo Pérsico, em retaliação às ações de Israel. Como resultado, o preço do petróleo Brent chegou a saltar quase 11%, superando a marca de US$ 119 por barril.
"Os mercados continuam seguindo esse manual de guerra. Ativos de risco têm desempenho fraco e os investidores evitam a renda variável, embora a queda do Ibovespa não seja tão acentuada neste período de conflito", avalia William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
O principal indicador da B3 abriu na máxima de 179.623,65 pontos (-0,01%) e atingiu mínima de 176.295,71 pontos (-1,86%). Mais recentemente, as perdas foram moderadas, acompanhando a redução das quedas em Nova York e a melhoria da alta nas ações da Petrobras.
A versão ao risco global, no entanto, persiste diante do agravamento das preocupações com a guerra no Oriente Médio.
Além disso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ao cortar a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, deixou aberta a possibilidade de novas reduções, mas indicou que o ritmo dependerá da duração do conflito geopolítico.
“A grande variável nova para o Banco Central é uma guerra, e como ela será considerada em seu cenário: se será um choque pontual ou mais persistente”, destaca Igor Monteiro, CEO da EqSeed. Segundo ele, o cenário base ainda é de uma guerra de curta duração. “Se isso for confirmado, ainda há perspectiva de corte de 0,50 ponto na Selic”, acrescenta.
Os ataques se intensificaram após o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, como esperado, mas sinalizar que pode aumentar as taxas em resposta às incertezas da guerra.
Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 0,43%, aos 179.639,91 pontos. Enquanto isso, o petróleo Brent avançava 3,50%, cotado a US$ 111,18 por barril às 11h15. A mineração de ferro registrou queda de 0,55% em Dalian, na China, onde houve decisão de juros à noite.
No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,58%, para 178.566,21 pontos, após atingir o mínimo de 176.295,71 pontos (-1,86%). Algumas ações dos bancos suavizaram as perdas, enquanto a Petrobras acelerou alta para 1,34% (PN) e 2,30% (ON).
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