CRÉDITO

Empresas do agro com análise informal de crédito têm inadimplência até 2,5 vezes maior; veja cinco erros comuns

Especialista do CONACREDI aponta falhas recorrentes na concessão de crédito e destaca práticas que ajudam empresas do agronegócio a reduzir riscos financeiros

Por Assessoria Publicado em 19/03/2026 às 10:31
Reprodução / freepik

São Paulo, março de 2026 - Em um cenário de instabilidade econômica e transformação digital no campo, um levantamento do CONACREDI, principal congresso nacional voltado à gestão de crédito no agronegócio, aponta que a inadimplência média no setor pode ser 2,5 vezes maior entre empresas que utilizam processos informais ou pouco estruturados de avaliação de crédito. O estudo também mostra que mais de 60% das empresas do agro ainda utilizam métodos pouco digitalizados na análise de risco, o que aumenta a exposição financeira das operações.

O debate ganha relevância em um momento em que o agronegócio responde por cerca de 24% do PIB brasileiro, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e em que o volume de crédito rural deve ultrapassar R$ 400 bilhões na safra 2024/25, conforme estimativas divulgadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil no âmbito do Plano Safra. Em um ambiente marcado por juros elevados, maior incidência de recuperações judiciais e pressão sobre margens, a qualidade da análise e da decisão de crédito tornou-se determinante para a sustentabilidade das carteiras.

Segundo Mayra Delfino, CEO do CONACREDI, o processo de concessão de crédito exige rigor técnico e acompanhamento constante. “Esse processo envolve múltiplas etapas, desde a coleta de dados até a avaliação de riscos e a tomada de decisão. Cada fase apresenta desafios específicos que, se não forem gerenciados adequadamente, podem comprometer a saúde financeira da empresa. Por isso, é fundamental que as organizações estejam atentas aos erros mais comuns e adotem práticas sólidas para mitigá-los”, afirma.

A seguir, a executiva lista cinco pontos de atenção que podem ajudar indústrias, revendas, cooperativas e instituições financeiras a aprimorar seus processos de concessão de crédito:

1. Falta de análise detalhada do histórico financeiro

Um dos erros mais comuns na análise de crédito é negligenciar o histórico financeiro do cliente. Muitas empresas se concentram apenas em dados superficiais, como renda atual ou patrimônio, sem considerar o histórico de pagamentos, dívidas anteriores e o comportamento financeiro ao longo do tempo. Ignorar esses aspectos pode levar a decisões de crédito arriscadas e aumentar o risco de inadimplência.

2. Subestimar a importância da documentação adequada

Outro erro frequente é a falta de rigor na verificação da documentação apresentada pelo cliente. Documentos falsificados ou incompletos comprometem a precisão da análise e podem expor a empresa a riscos legais e financeiros. Procedimentos de validação mais rigorosos ajudam a reduzir vulnerabilidades e aumentar a segurança das operações.

3. Não considerar fatores externos

A análise de crédito muitas vezes é feita de forma isolada, sem considerar fatores externos que podem impactar diretamente a capacidade de pagamento do cliente. Mudanças na economia, oscilações de mercado, eventos climáticos ou crises sanitárias podem afetar significativamente a estabilidade financeira de produtores e empresas do setor. Uma avaliação mais ampla tende a gerar decisões mais consistentes.

4. Falta de atualização dos critérios de análise

O ambiente financeiro e o próprio agronegócio passam por transformações constantes. Manter critérios de avaliação desatualizados pode comprometer a qualidade da análise de risco e resultar em decisões inadequadas. Revisar periodicamente os parâmetros utilizados na concessão de crédito é fundamental para manter a aderência às condições do mercado.

5. Ignorar sinais de alerta

Por fim, a especialista alerta para a importância de não ignorar sinais de alerta no relacionamento com clientes. Atrasos recorrentes em pagamentos, aumento do nível de endividamento ou mudanças abruptas no comportamento financeiro podem indicar dificuldades iminentes. O monitoramento contínuo das carteiras e a adoção de medidas preventivas permitem agir com antecedência e reduzir potenciais perdas. “Identificar sinais de alerta com antecedência é fundamental para evitar que pequenos problemas evoluam para inadimplência”, conclui Mayra Delfino.