A Faria Lima não foi pensada para elas: ex-executivas da Warren, Stone e Loggi lançam wealth tech e miram R$ 10 bilhões sob gestão
Ella Wealth estreia com meta de R$ 1 bilhão sob gestão em 2026 e aposta em um novo modelo de gestão patrimonial e educação financeira focado em tecnologia e voltado a mulheres.
São Paulo, março de 2026 - Em um mercado de wealth management historicamente dominado por homens, três executivas de destaque no setor financeiro e de tecnologia lançam uma nova wealth tech voltada a mulheres de alta renda com uma meta agressiva: atingir R$ 1 bilhão sob gestão já em 2026 e alcançar R$ 10 bilhões em cinco anos. À frente da Ella Wealth estão Ana Toledo, fundadora e CEO da Hyperion Asset e reconhecida como uma das 100 mulheres gestoras de fundos do Brasil; Kelly Gusmão, cofundadora e conselheira da Warren Investimentos, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro; e Liana Selles, executiva com passagens por Stone, Falconi e Loggi e formação na Harvard Business School.
O lançamento ocorre em um momento em que juros elevados, instabilidade global e maior complexidade na alocação de ativos têm levado investidores a revisar estratégias, buscar proteção de capital e reforçar o planejamento patrimonial de longo prazo, incluindo sucessão e diversificação. Ao mesmo tempo, surge uma oportunidade de atender um novo capital que vem crescendo e segue sendo sub-representado. Hoje as mulheres já controlam cerca de um terço dos ativos globais e, segundo estudo da McKinsey (2025), devem concentrar até 50% da riqueza mundial nas próximas décadas.
“Esse movimento expõe um ponto central da indústria financeira, historicamente desenhada sem ter as mulheres como público protagonista, e é justamente para atender esse novo capital, colocando a mulher no centro de toda a jornada financeira, que vai muito além dos investimentos, que a Ella nasce”, afirma Liana Selles, co-founder e COO da Ella Wealth.
O avanço na B3 é um dos reflexos dessa transformação. O último Raio-X do Investidor da Anbima mostra que 50% das mulheres que ainda não investiam planejavam começar em 2024, um indicativo claro de que o mercado feminino segue em expansão, embora ainda subatendido pela indústria.
“O mercado financeiro não foi desenhado considerando a mulher como protagonista do patrimônio. Ele foi construído de homem para homem. E não queremos excluí-los, mas sim fazer uma reparação histórica e iniciar uma revolução cultural na forma como o dinheiro é administrado”, afirma Kelly Gusmão, co-founder e CRO da Ella Wealth.
A Ella Wealth inicia a operação atendendo mulheres com patrimônio a partir de R$ 500 mil, nos segmentos de alta renda, combinando gestão patrimonial e consultoria financeira estratégica com foco em decisões de longo prazo. Em uma segunda etapa, a empresa planeja lançar um aplicativo até o final do ano para ampliar o acesso ao varejo e atingir mulheres que ainda não investem ou estão no começo da jornada de construção patrimonial.
A leitura das fundadoras é que o debate sobre independência feminina avançou em educação e mercado de trabalho, mas ainda encontra barreiras quando o tema é acumulação e gestão de riqueza. Mesmo com maior presença feminina no empreendedorismo e em posições executivas, o controle do patrimônio permanece concentrado.
“Educação foi a primeira grande virada. Carreira foi a segunda. O controle do patrimônio é a terceira e talvez a mais transformadora. É ali que está o poder real de decisão sobre a própria vida e sociedade”, afirma Ana Toledo, co-founder e CIO da Ella Wealth.
Além do foco em performance financeira, a empresa aposta em uma abordagem que une planejamento patrimonial, educação financeira e construção de comunidade, buscando engajar mulheres que muitas vezes não se identificam com a linguagem tradicional do mercado.
As fundadoras reforçam que a proposta não é antagonizar o setor. A Ella Wealth atende clientes homens e defende que reduzir o desequilíbrio de gênero passa por alianças e por uma transformação gradual na estrutura da indústria. Com metas bilionárias e nomes já conhecidos no mercado, a nova wealth tech entra em um segmento competitivo apostando que a próxima fase do mercado financeiro brasileiro também será definida por quem ocupa o centro das decisões patrimoniais.