Bradesco aponta que Copom sinaliza novos cortes na Selic, mas mantém cautela
Relatório do banco destaca que ritmo dos cortes dependerá do cenário internacional e dos impactos do conflito no Oriente Médio
O Bradesco destacou, em relatório enviado a clientes, que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (18), a possibilidade de novos cortes na taxa Selic, atualmente reduzida para 14,75% ao ano. O banco avalia que os juros devem permanecer em patamar restritivo no curto prazo.
Segundo o relatório, a aceleração — ou não — para cortes de 0,5 ponto percentual por reunião dependerá da evolução do cenário no Oriente Médio e de seus impactos sobre a economia brasileira.
O Bradesco ressalta ainda que a projeção de inflação do Banco Central para o horizonte relevante (terceiro trimestre de 2027) teve leve alta, passando de 3,2% para 3,3%. O ajuste reflete o aumento do preço do petróleo em razão do conflito no Oriente Médio.
Apesar da elevação, o banco avalia que a estimativa demonstra certa confiança de que os efeitos inflacionários, por ora, não devem se propagar para o horizonte relevante, possivelmente devido à desaceleração econômica prevista.
O relatório observa também que o comitê optou por transferir a incerteza dos conflitos geopolíticos para o balanço de riscos, em vez de incorporá-la ao cenário central.
"Assim, o início do ciclo de calibração de juros foi possível por conta do aumento das evidências de transmissão da política monetária sobre a atividade econômica", analisa o Bradesco.
Para o banco, a projeção é que a taxa Selic encerre 2026 em 12,00% ao ano.