INVESTIGAÇÃO NO LEGISLATIVO

Polícia Federal aponta reintrodução de dados no Senado após exclusão determinada pelo STF

PF diz que CPMI descumpriu ordem do ministro André Mendonça ao restaurar arquivos sob sigilo, levantando dúvidas sobre integridade das provas.

Por Sputinik Brasil Publicado em 18/03/2026 às 19:44
Polícia Federal aponta descumprimento de ordem do STF sobre dados sigilosos no Senado. © Sputnik / Guilherme Correia

PF afirma que CPMI desobedeceu ordem de André Mendonça ao recuperar arquivos sob sigilo, levantando dúvidas sobre integridade das provas e controle judicial.

A Polícia Federal (PF) informou que cumpriu decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ao retirar, extrair, copiar de forma segura e excluir dados armazenados nos sistemas do Senado Federal, seguindo protocolos de integridade e cadeia de custódia.

Durante a operação, agentes identificaram a reintrodução de dados previamente excluídos nos ambientes do Senado. Segundo a PF, isso ocorreu após solicitação direta da presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) à empresa Apple, resultando em novo fluxo de download e armazenamento fora do controle judicial determinado.

A corporação comunicou o episódio ao ministro relator, destacando questionamentos sobre a preservação das provas, a segregação de informações sensíveis e a integridade do material ao longo da investigação. Para a PF, a conduta representa descumprimento da ordem judicial.

A decisão de André Mendonça estabelecia que ninguém poderia acessar os dados mantidos na chamada “sala-cofre” da CPMI, para preservar aspectos da vida privada dos investigados. O material inclui informações extraídas de dispositivos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Após a prisão de Vorcaro, os dados de seu celular foram enviados à CPMI com autorização do ministro, desde que previamente filtrados pela PF para garantir pertinência às investigações. No entanto, houve acesso a conteúdos sensíveis, como conversas pessoais com sua então namorada, Martha Graeff, além de mensagens, e-mails e uma lista de contatos que inclui ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

No início de março, Mendonça determinou a abertura de investigação sobre o vazamento dessas informações. Parte do conteúdo expôs relações pessoais e possíveis conexões envolvendo Vorcaro e agentes públicos.

O empresário foi preso por ordem do ministro após a PF identificar um grupo denominado “A Turma”, que reuniria auxiliares para perseguir e ameaçar desafetos. Entre os alvos estaria o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

As investigações também indicam que Luiz Phillipi Mourão teria atuado na invasão de sistemas oficiais para obter informações sigilosas relacionadas a investigações e opositores do empresário.