Copom eleva projeção de inflação para 3,3% no 3º trimestre de 2027
Estimativa do BC para IPCA em 12 meses segue acima do centro da meta; Selic é reduzida para 14,75%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central revisou para cima sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o final do terceiro trimestre de 2027, passando de 3,2% para 3,3%. Esse é o horizonte relevante para a política monetária considerado na última reunião do colegiado, realizada em janeiro.
A nova estimativa permanece ligeiramente acima do centro da meta, de 3%. Isso sinaliza que a trajetória de juros prevista no relatório Focus ainda é insuficiente para garantir a convergência da inflação ao objetivo estabelecido no período de seis trimestres avaliado pelo BC. Atualmente, as projeções apontam que a Selic deve encerrar 2024 em 12,25% e recuar para 10,50% ao fim de 2027.
Nesta quarta-feira, o Copom decidiu, de forma unânime, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15,0% para 14,75%, conforme esperado por 25 das 33 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Ao justificar a decisão, o colegiado afirmou considerar que "essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". Ainda segundo o comunicado, "sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego".
A cotação do dólar utilizada pelo comitê em suas projeções recuou de R$ 5,35 para R$ 5,20. Já a mediana do Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,0% para 4,10%, enquanto para 2027 permaneceu em 3,80%.
O Copom também revisou a projeção para o IPCA acumulado em 2026, de 3,4% para 3,9%. No mesmo cenário de referência, foram ajustadas as estimativas para a inflação de preços livres em 2026 (de 3,5% para 3,7%) e no terceiro trimestre de 2027 (de 3,1% para 3,3%). A projeção para os preços administrados passou de 3,0% para 4,3% neste ano e de 3,3% para 3,2% no horizonte relevante.
Todas as projeções consideram a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, com alta de 2% ao ano posteriormente. Além disso, no cenário de referência, adota-se a hipótese de bandeira tarifária "amarela" em dezembro de 2026 e de 2027.
Juros reais
Com a redução da Selic para 14,75%, o Brasil mantém a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,51%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O país fica atrás apenas da Turquia, com 10,38%. A Rússia ocupa a terceira posição, com 9,41%, seguida pela Argentina (9,41%) e pelo México (5,39%).
O Banco Central calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil — aquela que não estimula nem deprime a economia — é de 5,0%.