POLÍTICA MONETÁRIA

Powell admite possibilidade de alta de juros nos EUA diante de incertezas globais

Presidente do Fed afirma que cenário-base não prevê aumento, mas conflito no Oriente Médio traz riscos à inflação e ao emprego

Publicado em 18/03/2026 às 17:36
Powell admite possibilidade de alta de juros nos EUA diante de incertezas globais Reprodução

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira (18) que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) discutiu a possibilidade de aumentar os juros dos Estados Unidos na próxima reunião, marcada para abril. A medida foi considerada diante das preocupações com os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.

"O assunto do fato surgiu hoje. A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantado na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior", declarou Powell em coletiva de imprensa nesta tarde.

Segundo ele, a grande maioria dos dirigentes do FOMC não considera o aumento das taxas como cenário-base, mas nenhuma opção é descartada. “Naturalmente, não descartamos nenhuma alternativa”, acrescentou.

Powell explicou que houve uma discussão sobre os riscos relacionados aos dois pilares do mandato da autoridade monetária: inflação e emprego. Ele destacou que vários dirigentes apontaram altas nas expectativas de inflação de curto prazo, embora a maioria dos indicadores analisados ​​tenham permanecido “sólidos”.

“Cremos que todos concordamos que continuaremos a monitorar esses indicadores com extrema atenção, à medida que observarmos a materialização dos efeitos do conflito sobre os preços”, afirmou o presidente do Fed.

Para Powell, o cenário permanece incerto. “O que acontecer no Oriente Médio será um grande fator”, projetou. Ele ressaltou, porém, que o choque não fornecido de energia é um "evento isolado".

Estagflação distante da realidade atual

O presidente do Fed rejeitou comparações com a estagflação viva pelos EUA na década de 1970. "Existe uma tensão entre os dois lados do mandato: o risco de alta para a inflação e o risco de baixa para o emprego. Isso nos coloca em uma situação diferente", avaliou.

Segundo Powell, a conjuntura atual é “muito difícil”, mas distinta do passado, quando o desemprego e a inflação atingiram níveis elevados. “Ao somar esses fatores, obtém-se o índice de miséria. E não é esse o caso agora”, frisou.

Ele destacou que o desemprego está próximo do nível normal de longo prazo, enquanto a inflação é apenas um ponto percentual acima desse patamar. "Portanto, chamar isso de estagflação... eu reservaria o termo para situação muito mais grave. Essa não é a situação em que nos encontramos", reforçou Powell.

O dirigente ressaltou ainda que a economia dos EUA segue resiliente, mesmo diante dos desafios. Para ele, a inflação é um aumento generalizado de preços, não um evento isolado. Powell também defendeu cautela quanto ao cronograma de repasses das tarifas à economia.

Mandato e futuro no Fed

Powell afirmou que não pretende deixar o conselho do Fed antes do fim da investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA (DoJ). "Não tenho intenção de sair até que a investigação seja concluída com transparência e especificamente", declarou.

Questionado se permanecerá no conselho após o término do mandato e da investigação, Powell disse que ainda não tomou uma decisão. “Tomarei essa decisão com base no que for melhor para a instituição e para as pessoas que servimos”, afirmou.

Ele acrescentou que, caso nenhum novo presidente do Fed seja confirmado até o fim do seu mandato, continuará exercendo suas funções. O mandato de Powell termina em maio. Se o nome do futuro presidente, Kevin Warsh, for aprovado até lá, abril será a última reunião sob comando de Powell.