ECONOMIA GLOBAL

Presidente do Fed aponta incertezas sobre impactos da crise no Oriente Médio

Jerome Powell avalia que efeitos do conflito ainda não são claros para a economia e a inflação dos EUA.

Publicado em 18/03/2026 às 17:02
Presidente do Fed aponta incertezas sobre impactos da crise no Oriente Médio AP/Jacquelyn Martin, arquivo

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira (18) que a economia dos Estados Unidos segue crescendo em ritmo sólido, mas ressaltou que os impactos da guerra no Oriente Médio ainda são “incertos”. “As implicações dos desdobramentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”, destacou Powell durante coletiva de imprensa.

Segundo o dirigente, o Fed permanece atento aos riscos relacionados ao seu mandato duplo, que envolve o emprego máximo e a estabilidade de preços.

“A economia dos EUA tem se expandido de forma consistente, enquanto a geração de empregos segue moderada”, explicou Powell. “A taxa de desemprego sofreu alterações nos últimos meses e a inflação permanece relativamente elevada”, acrescentou.

Powell também destacou que os gastos dos consumidores mantêm-se resilientes e que o investimento fixo das empresas continua em expansão. Por outro lado, avaliou que a atividade do setor imobiliário segue fraca.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed decidiu manter a taxa dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% ao ano, marcando a segunda reunião consecutiva de estabilidade após três reduções consecutivas em setembro, outubro e dezembro do ano passado. A decisão não foi unânime: o diretor Stephen Miran votou por um corte de 25 pontos-base.

Powell ressaltou que ainda é cedo para medir a extensão e a duração dos conflitos no Oriente Médio sobre o mercado de energia e a economia. “Estamos cientes do comportamento da inflação nos últimos anos e de como choques sucessivos interrompidosam o progresso feito ao longo do tempo, incluindo as tarifas. Agora, novos efeitos sobre a inflação podem surgir”, avaliou.

De acordo com o presidente do Fed, o principal foco neste ano é o avanço na inflação de bens, à medida que os efeitos das tarifas nos preços se dissipam. “Essa é a principal variável que estamos monitorando”, explicou, ressaltando a importância desse indicador para avaliar o sucesso da política monetária.

“Algum progresso na inflação deve aparecer à medida que, desde o meio do ano passado, observemos desaceleração inflacionária após as tarifas. Se esse progresso se confirmar, cortes de impostos poderão ocorrer”, afirmou Powell. Para ele, as reduções anteriores nos juros devem contribuir para a estabilização do mercado de trabalho nos Estados Unidos.