Imposto de Renda começa dia 23 e erros na declaração podem atrasar restituição e levar à malha fina. Especialista explica como evitar o problema
Novas regras e maior cruzamento de dados exigem organização financeira para evitar inconsistências e prejuízos ao contribuinte
Dados do IBGE mostram que cerca de 52% das empresas brasileiras sobrevivem após três anos de atividade, o que evidencia o impacto direto de falhas de gestão financeira no encerramento precoce de negócios. Com o início do prazo de entrega do Imposto de Renda em 23 de março, a falta de organização ao longo do ano ganha ainda mais relevância, sobretudo pelo efeito direto na restituição.
Erros, omissões ou inconsistências podem atrasar o pagamento ou reduzir valores a receber, afetando diretamente o caixa do contribuinte.
Fabinho Nascimento, contador, especialista em gestão financeira e estruturação de empresas e CEO do Grupo FN, afirma que a origem dessas falhas está na ausência de rotina financeira e alerta para o impacto direto no consumidor final. “O erro não acontece na hora de declarar. Ele começa meses antes, quando o empresário deixa de organizar documentos e controlar suas finanças. No fim, isso chega no bolso, seja com atraso na restituição ou com pagamento indevido de imposto”, diz.
A falta de separação entre pessoa física e jurídica e o controle irregular das finanças estão entre os principais fatores que levam empresários a problemas fiscais. Ele destaca que o avanço do cruzamento de dados pela Receita Federal tornou esse tipo de falha mais visível e aumentou a necessidade de precisão nas informações. “Hoje, tudo é cruzado. Quando há inconsistência, o contribuinte perde prioridade na restituição ou cai na malha fina. E isso impacta diretamente o dinheiro que ele poderia ter disponível”, afirma.
Dados da Receita Federal indicam que 1,474 milhão de declarações ficaram retidas em malha fina em 2024, sendo a maior parte por omissão de rendimentos e deduções indevidas. Para o especialista, esses números refletem não apenas erros pontuais, mas uma cultura de baixa organização financeira entre empresários. “Muitos ainda tratam a gestão financeira como algo secundário. Isso compromete não só a declaração, mas a saúde do negócio como um todo”, alerta.
Além da exposição a autuações e multas, a desorganização impacta diretamente a tomada de decisão e a sustentabilidade da empresa. Sem dados confiáveis, empresários têm dificuldade para entender margens, prever fluxo de caixa e planejar crescimento. “Sem controle financeiro, o empresário perde a capacidade de decidir com segurança. Ele pode até faturar, mas não necessariamente gerar lucro”, aponta.
Vantagens e alertas para empresas
Empresas que estruturam a organização financeira de forma contínua conseguem reduzir riscos e melhorar desempenho. Por outro lado, negligenciar esse processo amplia a exposição a problemas fiscais e financeiros.
Entre as vantagens, está o aumento da previsibilidade do caixa, a melhoria na margem de lucro e maior facilidade de acesso a crédito. Negócios organizados também conseguem responder mais rapidamente a mudanças e tomar decisões com base em dados concretos. “Quando o empresário tem clareza dos números, ele ganha velocidade e segurança para crescer”, destaca.
Já os alertas envolvem riscos diretos de autuações, pagamento de multas e inconsistências fiscais, além de prejuízos operacionais causados por decisões mal embasadas. Outro ponto crítico é a dificuldade de expansão, já que empresas desorganizadas enfrentam barreiras para atrair investidores ou acessar linhas de financiamento. “A desorganização trava o crescimento. Nenhum banco ou investidor confia em números que não são claros”, diz.
O especialista aponta cinco medidas para organizar as finanças e evitar erros fiscais nas empresas
A organização financeira exige ações práticas e consistentes ao longo do ano. A seguir, estratégias que ajudam empresários a reduzir erros, estruturar processos e aumentar a eficiência da gestão:
- Separar rigorosamente pessoa física e jurídica
O primeiro passo é manter contas totalmente distintas e formalizar qualquer retirada como pró labore ou distribuição de lucros. Essa prática reduz inconsistências e facilita o controle contábil. “Misturar contas é o início de quase todos os problemas financeiros dentro das empresas”, afirma.
- Registrar todas as movimentações financeiras
Na sequência, é essencial registrar todas as entradas e saídas, independentemente do valor. O uso de sistemas de gestão permite acompanhar o fluxo financeiro em tempo real e evita lacunas de informação. “O empresário precisa saber exatamente o que acontece com o dinheiro todos os dias”, diz.
- Organizar documentos de forma contínua
Outro ponto é manter documentos organizados ao longo do ano, como notas fiscais, contratos e comprovantes. Isso reduz erros na declaração e melhora a gestão financeira. “A organização precisa ser rotina, não uma ação pontual”, afirma.
- Acompanhar indicadores financeiros mensalmente
Além do registro, é necessário acompanhar indicadores como fluxo de caixa, lucratividade e endividamento. Essa análise permite ajustes rápidos e decisões mais assertivas. “Sem olhar para os números com frequência, o empresário perde o controle do negócio”, diz.
- Contar com apoio contábil estratégico
Por fim, o suporte de uma assessoria contábil qualificada contribui para reduzir riscos e melhorar a eficiência da empresa. Mais do que cumprir obrigações, o contador pode atuar de forma consultiva. “O contador precisa ajudar o empresário a tomar decisões melhores, não apenas entregar guias”, afirma.
A adoção dessas práticas fortalece a gestão, reduz a exposição a riscos fiscais e cria base para crescimento sustentável. Para o especialista, a organização financeira deve ser tratada como prioridade dentro da empresa. “Quem organiza o financeiro consegue crescer com mais consistência e segurança. Quem não organiza fica sempre reagindo a problemas”, conclui.