Professor em Maceió é indiciado por injúria racial após comparar aluno a chimpanzé
Investigação concluída em menos de 30 dias utilizou câmeras de segurança para comprovar constrangimento em sala de aula; pena pode chegar a 5 anos de reclusão
– A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) concluiu o inquérito que investigava um caso de racismo dentro de uma instituição de ensino na capital. Um professor de matemática foi indiciado pelo crime de injúria racial após comparar um aluno negro a um chimpanzé durante o horário de aula. Segundo a delegada responsável pelo caso, Rebeca Cordeiro, a celeridade da investigação permitiu o indiciamento em menos de um mês.
Provas materiais e dinâmica do crime
A base da acusação contou com depoimentos de testemunhas e a análise crucial das imagens do circuito interno da escola. Embora os vídeos não possuam registro de áudio, a delegada afirmou que os gestos captados são "provas materiais claras" do ocorrido.
Nas imagens, é possível observar um adolescente segurando um caderno que trazia a foto de um chimpanzé na capa. O professor, então, toma o material em mãos e aponta diretamente para o estudante vítima da ofensa. O gesto provocou risadas em parte da turma e visível constrangimento ao jovem.
"Justificativas como 'foi sem querer' ou 'era apenas uma brincadeira' não isentam a responsabilidade criminal", alertou a delegada Rebeca Cordeiro.
Agravantes e rigor da lei
O crime de injúria racial, equiparado ao racismo, está previsto na Lei nº 7.716/1989. A pena base varia de 2 a 5 anos de reclusão. No entanto, por ter ocorrido em ambiente escolar e com suposto intuito recreativo, a punição pode ser agravada em até um terço. A autoridade policial lembrou ainda que crimes dessa natureza são imprescritíveis.
O caso também possui um desdobramento na esfera infracional: o adolescente que exibiu o caderno no início da dinâmica está sendo investigado por uma delegacia especializada, conforme os ritos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Impacto familiar
Para a família da vítima, o episódio deixou marcas profundas. O pai do estudante, Paulo Jorge, relatou que o filho chegou em casa abalado e buscou refúgio no quarto antes de conseguir relatar a humilhação sofrida.
"Ele chegou com cara de choro. Depois, contou que o professor de matemática o tinha comparado com o macaco da capa de um caderno", desabafou o pai. Segundo ele, a família tem focado no acolhimento psicológico do jovem, que já acompanhava casos de racismo no esporte, mas nunca imaginou ser o alvo dentro da própria escola.
A Polícia Civil reforça que escolas devem ser espaços de proteção e que denúncias são fundamentais para garantir que o ambiente acadêmico não seja palco de práticas discriminatórias.