TECNOLOGIA

Tendências do audiovisual para 2026 apontam novos formatos e uso estratégico da inteligência artificial

Especialista do UniSenac - Campus Porto Alegre aponta tendências e destaca novas competências para quem quer atuar na área

Por Assessoria Publicado em 18/03/2026 às 10:45

O mercado audiovisual vive um momento de transformação acelerada, impulsionado por tecnologias emergentes e por mudanças no comportamento do público. Para os próximos anos, tendências como o uso mais consolidado da inteligência artificial, novos formatos de narrativa e uma estética mais próxima do cotidiano devem influenciar diretamente a produção de conteúdo.

Segundo a coordenadora do curso superior de Tecnologia em Produção Multimídia do UniSenac - Campus Porto Alegre, Fabrizzia Cinel Lacerda, a inteligência artificial tende a alcançar uma nova etapa de maturidade no setor. “A IA generativa deve se tornar um motor importante da pós-produção, contribuindo com processos mais robustos e acelerando fluxos de trabalho que antes levavam meses”, explica.

Entre as aplicações já presentes no mercado estão ferramentas que permitem a criação de storyboards dinâmicos, dublagem automática com preservação de tom e geração de cenários virtuais complexos. Essas soluções ajudam a reduzir custos operacionais e agilizar etapas importantes da produção.

Além da tecnologia, mudanças estéticas também devem marcar o audiovisual nos próximos anos. De acordo com a docente, cresce a preferência do público por conteúdos que transmitam maior autenticidade. “Existe uma tendência de estética mais crua e humanizada, com produções que pareçam mais reais, imperfeitas e orgânicas”, afirma. Outro movimento relevante é o crescimento das microsséries verticais, com episódios curtos de 60 a 90 segundos, pensados para consumo rápido em dispositivos móveis. Esse formato acompanha o hábito de usuários que assistem a conteúdos enquanto se deslocam ou em pequenos intervalos do dia.

A verticalização dos vídeos também altera a lógica tradicional da linguagem audiovisual. “Quando o conteúdo é pensado na vertical, o foco sai da paisagem e vai para o indivíduo e para a emoção. Isso gera mais proximidade com o espectador e cria uma sensação de intimidade”, explica Fabrizzia. A especialista também destaca o crescimento de conteúdos produzidos em primeira pessoa, conhecidos como point of view (POV), impulsionados pelo avanço de tecnologias como os smart glasses, óculos que realizam gravações, que permitem experiências mais imersivas.

Para atuar nesse cenário, os profissionais precisarão combinar criatividade e domínio tecnológico. Entre as competências criativas mais relevantes estão o desenvolvimento de narrativas estéticas híbridas, o design de experiências imersivas e o storytelling baseado em dados. Já no campo técnico, a fluência em ferramentas digitais e no uso de inteligência artificial, incluindo técnicas como prompt engineering, passa a ser cada vez mais importante.

O avanço da automação também deve transformar o mercado de trabalho. Conforme a docente, o impacto depende da capacidade de adaptação dos profissionais. “A automação tende a reduzir funções puramente operacionais, mas cria novas oportunidades para quem assume papéis estratégicos, criativos e tecnológicos”, afirma.

Nesse contexto, o mercado tem valorizado o chamado profissional em formato “T”, que possui uma base generalista sólida, mas também desenvolve uma especialidade profunda em determinado campo de atuação. “A versatilidade abre portas, mas a especialização e o desenvolvimento prático são fatores decisivos para conquistar os melhores projetos e contratos”, explica.

Como se especializar no assunto

Para quem deseja ingressar ou se aprofundar na área de produção audiovisual, a formação contínua é um diferencial importante. No UniSenac - Campus Porto Alegre, o curso superior de Tecnologia em Produção Multimídia prepara os estudantes para atuar no mercado de criação de conteúdo digital, audiovisual e multiplataforma. A formação é baseada na cultura maker, na qual os alunos aprendem por meio da prática desde o início do curso, desenvolvendo projetos e acompanhando as tendências tecnológicas e criativas do setor.

De acordo com Fabrizzia, manter a curiosidade e buscar atualização constante são atitudes essenciais para quem deseja construir carreira na área. “Investir em formação e acompanhar as transformações tecnológicas são passos fundamentais para quem quer se destacar em um mercado que evolui tão rapidamente”, conclui.