CRIATIVIDADE

Criatividade é uma das competências cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho

Em um cenário profissional cada vez mais marcado por inovação e adaptação, a criatividade pode ser cultivada ao longo da vida por meio de práticas, repertório e aprendizado contínuo; autor best-seller Conrado Schlochauer comenta

Por Assessoria Publicado em 18/03/2026 às 10:39

São Paulo, março de 2026 – Durante muito tempo, a criatividade foi tratada como um talento reservado a artistas ou a pessoas naturalmente “geniais”. Para se ter uma ideia, segundo o relatório The Business of Creativity, os líderes empresariais, em sua grande maioria, associam a criatividade a resultados importantes: 82% afirmam que ela impulsiona a inovação de produtos e serviços, 82% a consideram vital para atrair e reter talentos e 81% acreditam que ela gera vantagem competitiva.  Em um mundo em rápida transformação, essa habilidade passou a ser vista como uma competência essencial para profissionais de diferentes áreas.

Para Conrado Schlochauer, autor best-seller e especialista em aprendizagem contínua, a criatividade está menos ligada a um dom nato e mais à forma como as pessoas aprendem a observar, conectar ideias e experimentar novas possibilidades. “Existe um mito de que criatividade é algo que você tem ou não tem. Na prática, ela funciona muito mais como um músculo: quanto mais exercitamos, mais repertório construímos e mais capazes nos tornamos de criar novas conexões”, resume.

Ambientes que estimulam curiosidade, colaboração e diversidade de experiências são fundamentais para o desenvolvimento criativo. Isso porque a criatividade nasce, em grande parte, da combinação entre conhecimentos diferentes. “A criatividade surge quando conectamos pontos que antes não estavam ligados. Ler sobre temas variados, conversar com pessoas de outras áreas e experimentar coisas novas amplia nosso repertório e aumenta as chances de produzir ideias originais”, explica Conrado.

O impacto que o medo de errar pode ter sobre o potencial criativo das pessoas, especialmente em ambientes profissionais muito rígidos ou pouco abertos à evolução. Organizações que estimulam a troca de ideias, valorizam o aprendizado contínuo e encaram o erro como parte natural do processo de desenvolvimento tendem a criar contextos mais propícios para a inovação e para o surgimento de novas soluções.

Além disso,  a criatividade não se restringe a áreas consideradas tradicionalmente criativas, como arte ou design. Hoje, ela é cada vez mais valorizada em campos como tecnologia, negócios, educação e ciência. “Ser criativo não significa necessariamente inventar algo revolucionário. Muitas vezes, é encontrar uma forma diferente de resolver um problema cotidiano ou olhar para uma situação comum com uma perspectiva nova”, afirma.

Para o autor, em um cenário de rápidas transformações no mundo do trabalho, marcado por inovação constante e novas formas de aprendizado, “a capacidade de conectar ideias, experimentar soluções e olhar para problemas sob diferentes perspectivas tende a ganhar ainda mais relevância para profissionais e organizações”.

Pensando nisso, o especialista em aprendizagem ao longo da vida listou cinco formas de exercitar a sua criatividade: 

  1. Amplie o repertório constantemente

Ler sobre temas diferentes, consumir conteúdos variados e ter contato com novas áreas do conhecimento ajuda o cérebro a criar conexões inesperadas.

“Criatividade tem muito a ver com repertório. Quanto mais referências acumulamos de diferentes áreas, culturas e experiências, maiores são as chances de fazer conexões novas e gerar ideias originais”, afirma Conrado Schlochauer.

  1. Cultive a curiosidade

Perguntar “por quê?”, “e se?” ou “como poderia ser diferente?” é um bom exercício para estimular novas perspectivas.

“A curiosidade é um motor da criatividade. Quando nos permitimos questionar o óbvio e explorar alternativas, abrimos espaço para ideias que não surgiriam em um pensamento automático”, explica Schlochauer.

  1. Experimente e aceite o erro como parte do processo

Testar ideias e aprender com tentativas que não funcionam faz parte do desenvolvimento criativo.

“O medo de errar é um dos maiores bloqueios da criatividade. Ambientes que valorizam a experimentação permitem que as pessoas explorem caminhos diferentes e aprendam com o processo”, diz Conrado.

  1. Busque conversas e trocas com pessoas diferentes

Interagir com profissionais de outras áreas ou com visões distintas amplia perspectivas e inspira novas soluções.

“Muitas ideias criativas surgem na interseção entre conhecimentos diferentes. Conversar com pessoas que pensam de outra forma amplia nosso olhar sobre os problemas”, afirma o especialista.

  1. Crie tempo para reflexão e pausa

Momentos de descanso ou atividades que tiram a mente do modo automático também favorecem a criatividade.

“O cérebro precisa de espaço para conectar ideias. Muitas vezes, insights surgem quando nos afastamos do problema por um momento e permitimos que a mente faça essas conexões de forma mais livre”, conclui Schlochauer.

Sobre o autor: Conrado Schlochauer é pesquisador, consultor e fundador da nōvi – a lifewide learning company. Mestre em Criatividade pela PUC-SP e doutor em Aprendizagem de Adultos pelo Instituto de Psicologia da USP, dedica-se há três décadas a questionar modelos tradicionais de educação corporativa e a desenvolver metodologias que fortalecem culturas de aprendizagem mais vivas, eficientes e inovadoras. É palestrante nas principais organizações do país e escreve regularmente para veículos e plataformas especializadas. É casado e pai de três adolescentes, que também o inspiram a observar, na prática, os caminhos da aprendizagem humana. Em 2021, publicou o best-seller Lifelong Learners: o poder do aprendizado contínuo.