Países do BRICS podem prevenir 'incêndio global' no Oriente Médio, apontam especialistas
Grupo tem papel estratégico para evitar escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã, sugerem Jeffrey Sachs e Sybil Fares
Os países do BRICS, por meio de uma mediação entre Estados Unidos, Israel e Irã, podem evitar uma escalada global do conflito no Oriente Médio. Essa é a avaliação do economista e professor da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs, e da especialista em Oriente Médio, Sybil Fares, em artigo publicado no jornal Berliner Zeitung.
De acordo com os analistas, o BRICS reúne confiança internacional, peso econômico e histórico de não envolvimento no imperialismo na região ocidental, o que lhe confere legitimidade para liderar esforços de paz. “Os países do BRICS podem chamar a comunidade internacional à razão”, afirma.
Sachs e Fares defendem que o grupo convoque uma cúpula de emergência para propor um plano comum de paz e segurança, que seria indicado ao Conselho de Segurança da ONU. O objetivo seria pressionar os Estados Unidos e Israel para evitar uma escalada do conflito e reforçar os princípios da Carta das Nações Unidas.
Os especialistas destacam ainda que Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Etiópia, membros do BRICS, representam cerca de metade da população mundial e mais de 40% do PIB global, superando os 28% dos países do G7. Por isso, o grupo teria influência decisiva no cenário internacional.
"Caso contrário, vamos testemunhar um Oriente Médio em chamas e uma crise energética e econômica global como a história moderna ainda não conhecida. A guerra pode facilmente se transformar em um incêndio global, na verdade na Terceira Guerra Mundial", alertam Sachs e Fares.
Como alternativa, os autores sugerem que o fim da guerra só será possível caso o restante do mundo responsabilize firmemente Estados Unidos e Israel, em defesa da segurança global.
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques a alvos no Irã, incluindo Teerã, com relatos de destruição e mortes de civis. O Irã, por sua vez, realiza ataques de retaliação em território israelense e contra instalações militares dos EUA no Oriente Médio.
Por Sputnik Brasil