TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Aliados ocidentais mantêm posição de não intervenção em Ormuz e recebem críticas de Trump

Países europeus e aliados rejeitam participação em missão liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz, ampliando isolamento americano e provocando reação do presidente Donald Trump.

Publicado em 17/03/2026 às 16:20
Estreito de Ormuz, no Oriente Médio © ANSA/AFP

Diversos países se posicionaram nesta terça-feira contra o envio de ajuda aos Estados Unidos em sua incursão no Irã, o que gerou críticas contundentes do presidente americano, Donald Trump.

Trump declarou que “não precisa ou deseja” a assistência dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em operações militares, afirmando ainda que a aliança está “cometendo um erro grave” ao recusar o apoio.

A porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, informou que o Reino Unido mantém negociações com Washington, países europeus e aliados do Golfo sobre o Estreito de Ormuz, mas ainda não se comprometeu com o envio de ajuda.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou que a França não participará de operações para liberar ou restringir no contexto atual, ressaltando que qualquer ação deve ser desvinculada do conflito em andamento. A ministra da Defesa de Espanha, Margarita Robles, também reiterou que o seu país não integrará nenhuma missão internacional na região.

Macron convocou um novo Conselho de Defesa e Segurança Nacional para esta tarde, no Palácio do Eliseu, para tratar da situação no Irão e no Oriente Médio, segundo a BFMTV.

Em linha com o posicionamento europeu, o Canadá declarou não ter intenção de aderir às operações militares contra o Irã. Em entrevista à Bloomberg, a ministra das Relações Exteriores, Anita Anand, explicou que o país não foi consultado anteriormente e não pretende participar da ação militar.

A ministra de Infraestrutura, Transporte, Desenvolvimento Regional e Governo Local da Austrália, Catherine King, destacou a importância de escoltar navios no Estreito de Ormuz, mas afirmou que não houve solicitação ao governo australiano e que o país não enviará navios para a região. “Nossa contribuição, até o momento, está restrita aos Emirados Árabes Unidos, fornecendo aeronaves para defesa, mas não enviaremos um navio para o Estreito de Ormuz”, afirmou King.

Antes de se reunir com Trump na Casa Branca, o Taoiseach da Irlanda, Micheál Martin, também desistiu da participação irlandesa em qualquer missão da União Europeia para reabrir a rota estratégica do petróleo no Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, utilizou as declarações cautelosas dos aliados dos EUA para argumentar que aumenta o número de vozes contra a guerra ao país persa. Na publicação no X, Araghchi escreveu a carta de renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA (NCTC), Joe Kent, que acusou Trump de iniciar uma guerra sob pressão de Israel, mesmo sem ameaça imediata do Irã aos americanos.

“Uma onda global de repercussões está apenas começando e atingirá todos, independentemente de riqueza, fé ou raça”, escreveu Araghchi. "Mais membros da comunidade internacional devem se pronunciar."

Por outro lado, um assessor diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que o país pode se juntar a um esforço internacional liderado pelos EUA para garantir a segurança em Ormuz, segundo a Reuters.

A Argentina reiterou seu apoio “inabalável” aos americanos após ter sido acusada pelo Irã de ser inimiga do regime persa, conforme declarou o chefe de Comunicação e porta-voz do presidente Javier Milei, Javier Lanari, ao El Mundo.

Mais cedo, ao reforçar as suas críticas aos parceiros ocidentais, Trump afirmou que países como o Catar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Bahrein ofereceram “grande apoio” na relação ao Irão.