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Petro sugere que Equador lançou bombas na Colômbia; Noboa nega ação

Internacional, Equador, Colômbia, Gustavo Pedro, Donald Trump, Quito

Publicado em 17/03/2026 às 12:56

Os atritos entre os governos da Colômbia e do Equador saíram da escalada após o presidente da Colômbia, Gustavo Petro (foto), sugerindo que o país vizinho teria jogado bombas dentro do território colombiano. Petro ponderou que é preciso ainda confirmar se os artefatos foram lançados pelas forças de segurança do Equador.

"Apareceram bombas, atiradas de avião, se vão investigar bem, muito na fronteira com o Equador, ratificando um pouco minhas suspeitas. Tem que investigar bem. Estão nos bombardeando a partir do Equador, e não são grupos armados. Já houve muitas explosões", afirmou Petro.  

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O presidente colombiano acrescentou que “existe uma gravação” sobre o episódio que ele defende que seja divulgado ao público, gravação que, segundo ele, “se originou no Equador”. Petro acrescentou que falou com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sobre o ocorrido.

"Há algo estranho. Eu pedi a Trump que atue e chame o presidente do Equador, porque não queremos entrar na guerra", completou o chefe de Estado, durante reunião com ministros, em Bogotá, nesta segunda-feira (16). A Petro destacou que  "a soberania nacional deve ser respeitada" . Equador negativo

Por meio de uma rede social, o presidente do Equador, Daniel Noboa, negou nesta terça-feira (17) que realizou operações no país vizinho.

"Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos satisfeitos em nosso território, não no seu. Não vamos recuar", disse Noboa, acusando a Colômbia de dar espaço a família de Fito, líder de organização do narcotráfico no Equador.

“Hoje, na cooperação internacional, continuamos esta luta, bombardeando os locais que serviram de esconderijo para esses grupos, em sua maioria colombianos que o seu próprio governo permitiu infiltrar-se em nosso país devido à negligência em suas fronteiras”, completou o presidente Noboa, em Quito.

Relações deterioradas

O episódio amplia a exclusão das relações entre os dois governos sul-americanos que vem se agravando, em especial, depois que Quito elevou as tarifas de importação dos produtos colombianos em 30% no início de fevereiro.

Noboa chamou a medida de “taxa de segurança” após reclamações sobre a falta de eficácia da Colômbia no combate ao crime na fronteira entre os dois países. A Colômbia, em resposta, suspendeu a venda de energia elétrica ao Equador e impôs uma tarifa de 30% sobre 70 produtos vindos do país andino .

Equador estreita laços com EUA

O Equador tem firmado acordos de cooperação com os Estados Unidos (EUA) sob uma justificativa de combate ao narcotráfico , que foi classificada pelo governo equatoriano de “organizações terroristas”, igualando à política do governo Trump sobre o tema. 

O governo de Daniel Noboa chegou a consultar a população para autorizar a abertura de uma base militar estrangeira no país, mas a medida acabou rejeitada por 60% dos votos. 

Na semana passada, o Equador abriu, em Quito, a primeira sede oficial do FBI, o serviço de inteligência dos EUA . Além disso, foram firmados acordos com Washington para operações conjuntas dentro do Equador, editando decretos de estados de emergência e toques de coleta .  

Também na semana passada, a Justiça Eleitoral do Equador suspendeu, por nove meses, o registro do principal partido de oposição do Equador, a Revolução Cidadã, do ex-presidente Rafael Corrêa , o que deve prejudicar a participação da legenda nas eleições locais de 2027.

O Tribunal eleitoral suspendeu o registo do partido do Corrêa em meio a uma investigação sobre lavagem de dinheiro . Candidata derrotada por Noboa em 2025, Luisa González, da Revolução Cidadã, vem sendo investigada por completa obtenção de recursos da Venezuela. G onzález nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.

EUA na América Latina

Nas últimas semanas, o governo dos EUA vem estreitando as relações militares com diversos países da América Latina sob o argumento duplo de combater os carrinhos de drogas na região e evitar a influência econômica de investidores externos, como China e Rússia , adversários comerciais dos EUA.

As medidas expressam a política da Casa Branca do Corolário Trump à Doutrina Monroe . Incluída na Estratégia de Segurança Nacional, anunciada em dezembro pelos Estados Unidos, a política reafirma a doutrina criada em 1823 e prega a “proeminência” de Washington sobre as Américas

Ao lançar uma dessas iniciativas, o secretário de Defesa da Casa Branca, Pete Hegseth, chegou a ameaçar “agir sozinho” nos países latino-americanos “se necessário” , para reforçar os cartéis, o que violaria a soberania nas nações da região sob o próprio território.