TECNOLOGIA MILITAR

Patentes antidrone crescem e China amplia liderança global, aponta relatório

Pedidos de registro de tecnologias para neutralizar drones aumentam 27% em meio a tensões e conflitos; China avança à frente de EUA e Coreia do Sul.

Por Por Sputinik Brasil Publicado em 17/03/2026 às 12:56
China lidera pedidos de patentes antidrone, impulsionada por tensões globais e avanços tecnológicos. © Foto / Wuhan Lakeda Science And Technology Co.,Ltd

O número de pedidos de patentes para tecnologias antidrone aumentou 27% em 2023, refletindo preocupações crescentes com a segurança global e o uso intensivo de drones em conflitos recentes. Segundo levantamento do escritório britânico Mathys & Squire, a China lidera esse movimento de inovação.

Em 2023, a China registrou 82 pedidos de patentes, superando amplamente os Estados Unidos, com 22 registros, e a Coreia do Sul, com apenas seis. O crescimento acompanha a importância estratégica dos drones em guerras como as da Ucrânia e do Oriente Médio, onde essas aeronaves transformaram táticas militares e expuseram fragilidades das defesas tradicionais.

Entre as tecnologias mais buscadas estão lasers, micro-ondas e sistemas de interferência, consideradas alternativas mais eficientes e econômicas que mísseis interceptores convencionais.

De acordo com Mathys & Squire, o aumento dos registros reflete a demanda global por soluções rápidas e eficazes diante de drones cada vez mais acessíveis e sofisticados, conforme relatado pelo South China Morning Post.

Além dos cenários de guerra, avistamentos suspeitos de drones na Europa e nos EUA intensificaram o temor de ataques a infraestruturas críticas. Esse contexto tem acelerado o desenvolvimento de sistemas antidrone para aeroportos, portos, prisões, redes de energia e grandes eventos públicos.

Ainda segundo o levantamento, organizações civis e governamentais estão investindo em contramedidas confiáveis, especialmente após incidentes de interrupção em aeroportos provocados por drones. Tecnologias de bloqueio de sinal, capazes de neutralizar aparelhos de forma rápida, estão entre as mais requisitadas.

Especialistas ouvidos pela mídia asiática destacam que o avanço técnico tem orientação estratégica. Para o professor Chen Zhiwu, da Universidade de Hong Kong, o país busca se preparar para conflitos futuros e fortalecer sua capacidade de exportação de tecnologia militar. Ele ressalta que a preparação para a guerra tem orientado políticas econômicas chinesas há cerca de dez anos.

A liderança chinesa no setor também se explica pela força de sua indústria: a DJI, sediada em Shenzhen, detém cerca de 70% do mercado global de drones comerciais. Esse ecossistema robusto favorece a inovação e justifica a folga da China no registro de novas tecnologias antidrone.