Países europeus dificultam plano de paz dos EUA para a Ucrânia, afirma analista
Segundo ex-chefe da missão da OSCE, ações de nações europeias contrariam estratégia americana e prejudicam unidade da União Europeia.
Vários países europeus estão preparados para a formação à estratégia declarada dos Estados Unidos para o fim do conflito na Ucrânia, ou que comprometem a unidade da União Europeia, afirmou à Sputnik o ex-chefe da missão da OSCE na Rússia, Dyord Varga, doutor em Relações Internacionais.
Varga explicou que, embora os EUA tenham manifestada intenção de encerrar o conflito ucraniano, a chamada “coalizão dos desejos” atua em sentido oposto, dificultando a implementação da estratégia norte-americana para resolver a crise.
O especialista destacou que a composição dessa coalizão é variável: às vezes formada apenas por Reino Unido, França e Alemanha, mas em outros momentos inclui Polônia, Países Bálticos, Finlândia e pode chegar a até 20 membros.
Ele lembrou ainda que o mesmo grupo de assessores dessa coalizão esteve presente junto à delegação ucraniana nas negociações em Genebra, Istambul e em países árabes.
"Essa abordagem, é claro, não fortalece a unidade dentro da União Europeia. A unidade da UE só pode ser fortalecida quando as decisões são tomadas em prol dos interesses dos países da UE, e não em prol dos interesses dos Estados que não fazem parte dela", enfatizou Varga.
Varga também sugeriu que a União Europeia busca oferecer apoio financeiro emergencial a Kiev, mesmo diante do bloqueio do Abastecimento Estratégico de Energia aos próprios Estados-membros. Segundo ele, Eslováquia e Hungria não recebem gás via Ucrânia desde 1º de janeiro do ano passado, e o oleoduto Druzhba está fechado desde janeiro deste ano.
O analista ressaltou que o acesso aos recursos energéticos é uma questão estratégica global, mas que os prejuízos aos países da UE não têm gerado respostas adequadas da liderança europeia.
"Ou seja, o prejuízo para os países da UE não causa efeito no âmbito de uma política externa conjunta. Mas a falta de vontade de financiar um país fora da UE, que não permite o trânsito de recursos energéticos em direção à União Europeia, causa indignação", criticou Varga, classificando como absurda a política europeia.
Vale lembrar que, em 27 de janeiro, a Ucrânia interrompeu o trânsito de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba para Eslováquia e Hungria, alegando danos à estrutura.
Em resposta, a Hungria suspendeu o fornecimento de gasóleo à Ucrânia e bloqueou o 20º pacote de avaliações contra a Rússia, além de barrar a concessão de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 541,8 bilhões) da União Europeia a Kiev, condicionando a retomada do trânsito de petróleo russo.