ASTRONOMIA

Planeta de magma com atmosfera sulfurosa revela nova classe de mundos além do Sistema Solar

Descoberta do exoplaneta L 98-59 d, com atmosfera de sulfeto de hidrogênio, desafia classificações e amplia diversidade planetária.

Publicado em 17/03/2026 às 07:13
Ilustração artística do exoplaneta L 98-59 d, com atmosfera sulfurosa e corte transversal de seu interior. © Foto / NASA

Astrônomos identificaram um novo tipo de planeta ao analisar L 98-59 d com o Telescópio Espacial James Webb (JWST). O exoplaneta, situado a 35 anos-luz da Terra, apresenta baixa densidade e uma atmosfera dominada por sulfeto de hidrogênio, gás conhecido pelo odor de ovos podres.

Com aproximadamente 1,6 vez o tamanho da Terra, L 98-59 d não se enquadra nas categorias tradicionais de anãs gasosas, planetas rochosos ou mundos oceânicos ricos em água. Sua composição atmosférica singular levou os cientistas a propor uma nova classe de planetas, caracterizada pela predominância de moléculas pesadas de enxofre.

De acordo com Harrison Nicholls, da Universidade de Oxford, a descoberta indica que as classificações atuais para pequenos planetas podem ser simplistas demais. Embora seja improvável que o planeta abrigue vida, L 98-59 d amplia o entendimento sobre a diversidade planetária existente no universo.

Ilustração artística do exoplaneta L 98-59 d, com um corte transversal revelando seu interior, orbitando uma estrela anã vermelha, juntamente com dois de seus planetas irmãos, divulgada em 16 de março de 2026
Ilustração artística do exoplaneta L 98-59 d, com um corte transversal revelando seu interior, orbitando uma estrela anã vermelha, juntamente com dois de seus planetas irmãos, divulgada em 16 de março de 2026

Modelos computacionais permitiram reconstruir a evolução do planeta ao longo de quase 5 bilhões de anos. Os dados sugerem que L 98-59 d abriga um vasto oceano global de magma e um manto de silicato fundido, capazes de armazenar grandes quantidades de enxofre.

Esse reservatório interno teria liberado, ao longo de bilhões de anos, gases como dióxido de enxofre para a atmosfera, o que explica as moléculas detectadas pelo JWST. O magma também pode ter contribuído para preservar a atmosfera rica em hidrogênio e enxofre, protegendo-a da intensa radiação da estrela hospedeira.

As simulações mostram que L 98-59 d pode ter começado como um planeta sub-Netuno maior, perdendo parte de sua atmosfera à medida que esfriava e encolhia. Apesar disso, manteve características únicas que o diferenciam de qualquer planeta do Sistema Solar.

Para os pesquisadores, a capacidade de reconstruir o interior e a história de mundos tão distantes abre caminho para identificar novos tipos de planetas. Como destaca Raymond Pierrehumbert, também da Universidade de Oxford, esses métodos revelam mundos sem equivalente conhecido — e sugerem que muitos outros ainda aguardam descoberta.

Por Sputnik Brasil