GEOPOLÍTICA

Questão energética no Oriente Médio é ferramenta de pressão dos EUA contra China, afirma analista

Analista turco destaca que controle de recursos petrolíferos segue central na estratégia dos EUA diante da ascensão chinesa.

Publicado em 17/03/2026 às 05:59
EUA utilizam recursos energéticos do Oriente Médio como instrumento de pressão sobre a China, aponta analista. © AP Photo / Susan Walsh

Os Estados Unidos seguem utilizando o fator energético como instrumento de pressão geopolítica no Oriente Médio, especialmente no contexto de rivalidade com a China, afirmou à Sputnik o analista político turco Engin Ozer.

De acordo com Ozer, o domínio sobre os recursos petrolíferos e os fluxos financeiros permanece como um dos pilares da estratégia global norte-americana.

"Washington continua jogando a carta do petróleo contra a China, enquanto Venezuela e Irã são de importância estratégica para o governo de Pequim", analisou Ozer.

O especialista explicou que, recentemente, os Estados Unidos vêm se afastando da prática de influenciar os preços do petróleo por meio de pressão sobre os países da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Segundo ele, a nova abordagem da Casa Branca prioriza o controle direto dos recursos petrolíferos, a imposição de sanções relacionadas ao petróleo e a retenção de ativos de países produtores nos EUA, especialmente por meio da compra de títulos norte-americanos.

Ozer também avalia que o equilíbrio de poder no Oriente Médio pode ser alterado diante da crescente presença de outras potências globais, como China e Rússia.

"A presença de forças navais chinesas e russas no Oriente Médio pode ajudar a restaurar o equilíbrio de poder na região. A presença naval chinesa no Djibuti é um dos indicadores desse processo", completou o analista.

O controle dos recursos energéticos do Oriente Médio tem sido reiteradamente apontado por Washington como uma das prioridades estratégicas da política externa dos EUA.

Ao longo dos anos, autoridades norte-americanas têm declarado a necessidade de manter influência sobre regiões produtoras de petróleo e gás e garantir acesso às principais rotas energéticas. Analistas ressaltam que essa estratégia se estende não apenas ao Oriente Médio, mas também a outras áreas ricas em hidrocarbonetos, como a Venezuela.

Por Sputnik Brasil