Taxas de juros recuam com alívio global e atuação do Tesouro Nacional
Atuação do Tesouro e melhora do cenário internacional impulsionam queda expressiva dos juros futuros na B3.
Os juros futuros negociados na B3 registraram forte queda nesta segunda-feira, 16, devolvendo parte do estresse observado na semana anterior, especialmente na sexta-feira. O movimento foi impulsionado por um ambiente global mais favorável aos ativos de risco, diante da expectativa de possível reabertura do Estreito de Ormuz e de uma percepção menos pessimista sobre a duração do conflito no Oriente Médio. Além disso, a atuação do Tesouro Nacional contribuiu para o alívio nas taxas.
Pela manhã, o Tesouro realizou leilão de compra e venda de títulos prefixados e, posteriormente, anunciou um leilão extraordinário de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) para as 15h30. O cenário externo também colaborou, com queda nos rendimentos dos Treasuries e no dólar, em função do aumento do apetite ao risco. Como resultado, as taxas intermediárias e longas chegaram a recuar mais de 30 pontos-base ao longo da sessão.
De acordo com agentes do mercado, a decisão do Tesouro de cancelar os leilões regulares de prefixados e de títulos atrelados à inflação nesta semana, além da realização de operações de compra e venda de NTN-F, LTN e NTN-B, ajudou a acalmar os investidores.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,291% para 14,07%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,878% para 13,535%. Já o DI para janeiro de 2031 passou de 14,11% para 13,725%.
Para Gean Lima, gestor de renda fixa da Connex Capital, a atuação do Tesouro foi positiva, mas não o principal fator da melhora. "Foi algo bem-vindo, mas o ambiente externo teve peso maior, com recuo de 4 a 5 pontos nos Treasuries e o dólar global caindo mais de 1% frente a emergentes. O cenário positivo é global, e o Tesouro trouxe um alívio adicional", avaliou.
Nesta tarde, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país terá acesso ao Estreito de Ormuz "muito em breve". Os mercados já abriram em tom mais otimista após Trump declarar, no domingo, que sete países devem colaborar para garantir a segurança da navegação na região, responsável por escoar cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Lima destacou ainda que, segundo o governo do Irã, o estreito está fechado apenas para EUA e Israel, o que alimenta a expectativa de uma possível reabertura parcial do local.
Já Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, atribui principalmente às intervenções do Tesouro a queda dos juros futuros, após a piora além dos fundamentos na sexta-feira, impulsionada por movimentos técnicos e operações de 'stop loss'. "O DI não teria melhorado tanto só pelo cenário global. Foi um movimento de ida e volta por fatores domésticos: piorou mais que nossos pares na sexta e melhorou mais hoje pelo fator local", explicou Vital.
Apesar do fechamento da curva de juros, o mercado segue ajustando suas projeções para a Selic, adotando postura mais conservadora na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre nesta quarta-feira. Nesta segunda, Santander, SulAmérica Investimentos, ASA e Bank of America (BofA) revisaram para baixo as previsões de corte inicial da taxa, de 0,5 para 0,25 ponto percentual. Lima, da Connex, também acredita que os juros básicos podem terminar o ano em patamar mais elevado do que o esperado antes do conflito. "Antes da guerra, estimava abaixo de 12%. Agora, a projeção está mais próxima de 13%", concluiu.
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