Pesquisa indica retomada consistente do M&A com 245 transações e maior racionalidade nas aquisições
Relatório anual da Questum aponta liderança dos setores financeiro e de ERP/TI, avanço das operações internacionais e mercado menos concentrado; total de operações sobe para 245 em 2025, com compradores internacionais já respondendo por 10,2% dos deals
São Paulo, janeiro de 2026 – Depois de um período de forte retração entre 2022 e 2023, o mercado brasileiro de fusões e aquisições em tecnologia consolidou, ano passado, um novo ciclo de crescimento mais racional e estruturado. De acordo com o relatório anual de M&A da Questum, consultoria especializada em fusões e aquisições, o número de transações no setor chegou a 245 operações ao longo do ano, acima das 196 registradas em 2024, sinalizando uma retomada sustentada, porém marcada por avaliações mais realistas, processos de análise mais rigorosos e foco em ativos com governança e previsibilidade de receita.
O movimento confirma uma mudança de comportamento observada após o pico entre 2020 e 2021, quando a liquidez abundante inflou valuations e acelerou decisões. Em 2025, o mercado passa a operar em outro patamar, no qual compradores e vendedores ajustaram expectativas e priorizam qualidade dos ativos, capacidade de escala e diferenciação tecnológica.
“Depois de um ciclo de excesso e correção, o mercado voltou a um ponto de equilíbrio. O que vemos é uma normalização das decisões de M&A, com compradores mais seletivos e empreendedores mais preparados. Não se trata de um retorno ao volume a qualquer custo, mas de aquisições que fazem sentido estratégico e financeiro”, afirma Rafael Assunção, fundador e Managing Partner da Questum.
A análise setorial do relatório mostra que, entre as empresas vendedoras, os segmentos mais ativos em 2025 foram Mercado Financeiro e ERP/TI, ambos com 34 transações, seguidos por Marketing e Vendas, com 27 operações. Na sequência, aparecem os setores de Saúde, com 17 transações, e Análise de Dados, com 14. Esse recorte reforça a predominância de modelos SaaS B2B e o interesse crescente por empresas com soluções analíticas, automação e uso intensivo de tecnologia como diferencial competitivo.
Em relação às operações cross-border, em 2025, compradores nacionais responderam por 89,8% das transações, enquanto aquisições realizadas por empresas internacionais representaram 10,2% do total. O aumento da participação estrangeira indica um amadurecimento do mercado brasileiro de tecnologia, que passa a atrair consolidadores internacionais interessados em ativos com crescimento, tecnologia e previsibilidade.
O relatório também aponta uma mudança no nível de concentração do mercado. O índice de transações de M&A por comprador ficou em 1,16 em 2025, abaixo do registrado em anos anteriores, como 2021, quando chegou a 1,63. O dado sugere um ambiente menos concentrado, com mais empresas realizando ao menos uma aquisição, em vez de poucos compradores seriais dominando o volume de operações.
Entre os compradores que se destacaram ao longo do ano estão grupos como FCamara, Softplan, Starian, iFood e Bionexo, que lideraram aquisições em diferentes frentes do setor de tecnologia, reforçando estratégias de expansão, complementariedade de portfólio e ganho de eficiência operacional.
“O M&A deixou de ser um movimento oportunista e voltou a ser uma decisão estratégica. Em 2025, vimos um mercado mais maduro, técnico e disciplinado, com menos excesso e maior foco em fundamentos. O aumento do interesse internacional e a redução da concentração indicam que o setor entrou em outro estágio, no qual ativos com governança, previsibilidade e tecnologia aplicada de fato passam a definir quem gera valor no longo prazo", completa Assunção.
Sobre a Questum
A Questum é a primeira assessoria especializada do Brasil focada em apoiar empreendedores de tecnologia e startups em toda a jornada de crescimento, captação de recursos e operações de fusões e aquisições (M&A). Fundada em 2019, a empresa atua no desenvolvimento de estratégias de negócio, estruturação de governança corporativa, prospecção e negociação com investidores e potenciais compradores, tanto no lado vendedor quanto no comprador, em operações nacionais e internacionais.