O algoritmo não é o vilão: onde as marcas realmente erram nas redes sociais
Professor da UNIASSELVI aponta que atribuir resultados apenas aos algoritmos é simplificar o funcionamento das plataformas, o que atrapalha diagnósticos e ajustes de estratégia
A ideia de que o algoritmo das redes sociais é o principal responsável pelo sucesso ou fracasso de um conteúdo se tornou comum entre empresas e profissionais de marketing. Quando um post tem bom desempenho, o crédito vai para o algoritmo. Quando não performa como esperado, a culpa também recai sobre ele. Mas essa visão simplifica demais o funcionamento das plataformas e muitas vezes encobre erros de estratégia das próprias marcas.
“A plataforma testa o conteúdo em uma amostra e observa sinais como tempo de visualização, retenção, salvamentos e compartilhamentos. A partir dessas reações, amplia ou reduz a entrega”, explica Rodrigo Borsatto, coordenador do curso de Marketing Digital da UNIASSELVI, que lembra que o algoritmo não decide sozinho o alcance de uma publicação. Na prática, ele responde ao comportamento do público.
Ou seja, funciona mais como um amplificador de relevância do que como um filtro arbitrário. Quando a mensagem é clara e o conteúdo gera interesse real, as chances de distribuição aumentam. Quando não desperta atenção, o alcance tende a cair, independentemente do investimento ou da frequência de publicação.
Entre os erros mais comuns das empresas está a confusão entre presença e estratégia. Muitas marcas mantêm uma rotina intensa de publicações, mas sem objetivos definidos ou sem uma narrativa consistente de posicionamento. O resultado é um volume alto de conteúdos que pouco contribuem para construir marca ou gerar resultado de negócio.
Outro equívoco frequente é tentar falar com todos ao mesmo tempo. Ao ampliar demais o público, a comunicação perde força e relevância. Também é comum ver empresas replicando tendências ou formatos virais sem avaliar se aquilo faz sentido para a identidade da marca ou para a etapa da jornada do consumidor que desejam impactar.
Nem mesmo o investimento em mídia paga resolve essas falhas. De acordo com Borsatto, anúncios podem ampliar resultados, mas não substituem uma estratégia bem definida. “Mídia paga não corrige desalinhamento, ela amplifica. Sem clareza de público, objetivo e proposta de valor, o investimento compra alcance e cliques, mas não necessariamente intenção de compra”, afirma.
Por isso, a combinação entre criatividade e análise de dados tornou-se essencial no marketing digital. A criatividade é o que chama a atenção e gera conexão com o público. Já os dados ajudam a entender o que realmente funciona e permitem ajustar campanhas de forma contínua, com base em testes e aprendizado.
Outro ponto central está na escolha das métricas certas. Curtidas e visualizações podem indicar alcance inicial, mas não são suficientes para medir impacto real no negócio. Indicadores como taxa de conversão, custo por aquisição e geração de leads são os que mostram, de fato, se uma campanha está trazendo resultados consistentes.
No fim das contas, o desempenho nas redes sociais depende menos do algoritmo e mais da qualidade da estratégia. Marcas que conhecem seu público, definem objetivos claros e utilizam dados para orientar decisões tendem a transformar as plataformas em aliadas e não em justificativa para resultados frustrantes.