Exterior positivo impulsiona Ibovespa, que atinge 181 mil pontos
Recuperação das bolsas internacionais e expectativas sobre decisões de juros favorecem alta generalizada do índice brasileiro
O Ibovespa iniciou uma semana em alta, superando os 181 mil pontos, impulsionado pela recuperação das bolsas na Europa e nos Estados Unidos nesta segunda-feira, 16. O cenário internacional segue atento à guerra no Oriente Médio, em uma semana marcada por decisões de política monetária no Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, zona do euro, China e Japão.
O avanço dos principais índices reflete a discussão sobre uma possível iniciativa de governos para a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo relatos, o presidente dos EUA, Donald Trump, trabalha para formar uma coalizão internacional atualmente reabrir a passagem, com anúncio previsto ainda esta semana.
A região é estratégica, responsável por 25% do petróleo transportado por via marítima. Apesar da queda nos preços do petróleo, o barril do tipo Brent permanece próximo de US$ 100, elevando preocupações inflacionárias. Os juros futuros brasileiros recuperam, acompanhando o movimento de baixa do dólar frente ao real, o que favorece especialmente ações sensíveis ao ciclo econômico. No entanto, a valorização atinge todos os 85 papéis da carteira teórica do índice.
Apesar do otimismo, o ambiente ainda é de incerteza, como destaca Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos. "Há grande preocupação com os efeitos do petróleo mais caro sobre a inflação, especialmente em uma semana de decisões sobre juros no Brasil e nos EUA. Os preços ainda não refletem totalmente o petróleo na faixa dos US$ 90", afirma.
O boletim Focus divulgado hoje trouxe piora nas projeções para o IPCA deste ano, aproximando-se de 4%, o que pode fortalecer a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza o ritmo de cortes na Selic.
Embora a maioria dos analistas ainda espere um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic na próxima quarta-feira, aumentam as projeções de um corte menor, de 0,25 ponto percentual, diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
"Os agentes seguem avaliando as perspectivas para o Copom, com a curva de juros e diversas casas já migrando as apostas para um corte de apenas 0,25 pp, diante da incerteza com o conflito. Essa mudança também apareceu na Pesquisa Focus desta manhã, com a mediana da Selic para março subindo para 14,75%", destaca Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.
“Ainda acredito em corte de 0,50 ponto percentual, mas essa probabilidade é bastante variável”, admite Alison Correia, analista de investimentos e cofundadora da Dom Investimentos.
Também nesta segunda-feira foi divulgado o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de janeiro, com alta de 0,78% frente a dezembro, ligeiramente abaixo da mediana das projeções, que era de 0,80%.
A mineração de ferro fechou o dia em queda de 0,74% em Dalian, cotada a US$ 117,3 por tonelada, na China, onde foram divulgados dados industriais e de varejo acima das expectativas.
Na sexta-feira, o Ibovespa caiu em baixa de 0,91%, para 177.653,31 pontos, acumulando queda semanal de 0,95%.
Às 11h10 desta segunda-feira, o índice subia 1,86%, aos 180.964,07 pontos, após atingir máxima de 181.254,85 pontos e abrir no mínimo de 177.656,24 pontos.