MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua com queda do petróleo e negociações para reabrir Estreito de Ormuz

Moeda norte-americana cai quase 1% frente ao real, influenciada por alívio nas tensões geopolíticas e recuo do petróleo.

Publicado em 16/03/2026 às 09:45

O dólar opera em queda de quase 1% frente ao real na manhã desta segunda-feira (16), com reflexos positivos para a curva de juros futuros e redução dos rendimentos dos Treasuries. O movimento ocorre em meio à mobilização do presidente dos EUA, Donald Trump, que busca o apoio da União Europeia e da China para garantir a passagem de embarques no Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel, iniciados em 28 de fevereiro.

O preço do petróleo registra queda superior a 2% no barril do WTI e tendência de baixa no Brent, que, por volta das 9h30, ainda se mantém acima de R$ 102. O resultado do IBC-Br de janeiro, praticamente em linha com as expectativas, tem impacto secundário no mercado.

O IBC-Br avançou 0,78% em janeiro ante dezembro, próxima à projeção do mercado (0,80%), após recuar 0,15% no mês anterior. O crescimento foi puxado pelos setores de serviços (+0,81%) e indústria (+0,37%), enquanto a agropecuária apresentou queda de 1,49%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 2,26%, com ritmo menor em relação a 2025.

A mediana do relatório Focus para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 3,94% para 3,99%, contra 3,95% há um mês. Para o IPCA de 2026, a mediana passou de 3,91% para 4,10%, ainda 0,40 ponto percentual abaixo do teto da meta (4,50%). Para 2027, o IPCA ficou estável em 3,80%.

No relatório Focus, os economistas do mercado financeiro passaram a prever que o Banco Central reduzirá a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para 14,75%, na próxima quarta-feira. É a primeira vez desde dezembro de 2025 que a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, base do Focus, não indica corte de 0,50 ponto.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da FGV acelerou para 0,26% na segunda quadrissemana de março, após alta de 0,04% na primeira, acumulando avanço de 3,04% em 12 meses.

No cenário internacional, a União Europeia discute nesta segunda-feira o envio de navios para garantir o transporte no Estreito de Ormuz, diante da guerra entre EUA, Israel e Irã, que já elevou o preço do Brent em mais de 40% em março.

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, minimizou os efeitos do conflito, afirmando que a mídia estaria tentando transformar a guerra iniciada pelos EUA e Israel "em uma crise que não existe".

A OCDE informou que o PIB do G20 cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2025, desacelerando em relação ao trimestre anterior (0,9%), com forte perda de ritmo nos Estados Unidos.

O Relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) aponta que a dívida internacional de empresas afiliadas fora do país de origem atingiu US$ 11 trilhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 40%. Nos mercados emergentes, o crescimento foi impulsionado pelo Brasil, Rússia e China.