DISPUTA INTERNACIONAL

Governo dos EUA não quer atuação chinesa no porto de Santos, afirma mídia

Cônsul americano em São Paulo expressa preocupação com possível vitória chinesa em leilão de megaterminal portuário e cita riscos à segurança e soberania.

Publicado em 16/03/2026 às 03:10
Vista aérea do porto de Santos, alvo de disputa geopolítica entre EUA e China por megaterminal. © Foto / Divulgação / Portal Governo Brasil via Agência Brasil

A presença chinesa no porto de Santos, o maior da América Latina, não é vista com bons olhos pelos Estados Unidos, afirmou o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação deste domingo (15), Murakami declarou, durante encontro com empresários do setor portuário na Baixada Santista, no início do mês, que não seria do interesse de Washington que uma empresa chinesa vença o leilão do megaterminal Tecon 10.

O jornal relata que Murakami defendeu que o terminal não deveria cair em "mãos indesejadas". O Tecon 10 é um dos principais projetos de expansão do porto de Santos, cujo edital ainda não tem data definida para publicação. O objetivo do projeto é ampliar a logística portuária brasileira e atrair grandes operadores internacionais do setor.

Em resposta à reportagem, o consulado americano negou qualquer pressão direta sobre o leilão brasileiro, mas admitiu ter "preocupações em relação à participação de empresas chinesas", mencionando temas como segurança, soberania e competição estratégica.

Diplomatas americanos também criticaram a influência de empresas da China no porto de Chancay, no Peru, megaprojeto financiado por capital chinês.

O porto de Chancay, que deve se tornar a maior estrutura portuária da América Latina, superando o de Santos, promete reduzir em um terço o tempo médio de chegada de produtos brasileiros ao Oriente.

Primeiro porto da região com maioria de capital chinês, o terminal de Chancay, localizado a 60 quilômetros de Lima, está prestes a se tornar o principal centro de conexão latino-americano com a Ásia.

Após decisão judicial que limitou o poder de fiscalização do órgão regulador peruano sobre o terminal, o embaixador dos EUA em Lima, Bernie Navarro, classificou a situação como "preocupante".

Por Sputnik Brasil