Haddad volta a criticar alta dos juros, mas evita responsabilizar diretores do BC
Ministro da Fazenda atribui impacto negativo dos juros altos ao bem-estar das famílias e defende debate estrutural sobre autonomia do Banco Central.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar o aumento da taxa de juros real no Brasil desde meados de 2024. Em entrevista ao portal Opera Mundi, no YouTube, Haddad foi questionado sobre o motivo de a percepção da população em relação à economia permanecer negativa, mesmo diante de indicadores econômicos positivos.
"O Brasil, desde a metade do ano de 2024, está aumentando a taxa de juro real. Estamos falando de quase dois anos de alta. É literalmente impossível que isso não tenha produzido efeitos também no bem-estar, sobretudo porque sabemos do nível de endividamento das famílias. Então, eu exploraria essa possibilidade", argumentou o ministro.
Ao ser indagado sobre o fato de todos os atuais diretores do Banco Central terem sido indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad apontou para um problema estrutural. "Existe essa questão de mandato, de autonomia, que antes não existia, mas há algo estrutural no Brasil. Não quero fulanizar esse debate porque acho que isso não contribui", respondeu.
Haddad destacou ainda que "estamos falando da menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil". O ministro afirmou que há setores que vocalizam suas opiniões — sem especificar quais — e que entendem ser melhor errar para mais do que para menos. "Existe uma ideia de que sempre temos que estar comprando credibilidade", concluiu.