POLÍTICA ECONÔMICA

Haddad aponta caminhos para melhorar contas públicas sem cortes sociais

Ministro da Fazenda defende ajustes pontuais e critica visões extremas sobre gastos e austeridade

Publicado em 02/03/2026 às 22:01
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (23) que há espaço para aprimorar a situação das contas públicas, destacando a necessidade de ajustes na política fiscal a ser adotada pelo próximo governo. Entre as frentes mencionadas para alcançar maior equilíbrio fiscal, Haddad citou a aposentadoria dos militares, as emendas parlamentares e os supersalários no funcionalismo.

"Se o próximo governo fizer exatamente o mesmo esforço que este governo fez, as condições de estabilidade e trajetória da dívida vão ser conseguidas", destacou Haddad durante aula magna na abertura do ano letivo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Contrário a cortes em benefícios sociais, Haddad defendeu que o ministro da Fazenda não precisa de uma "serra elétrica", mas sim de uma "chave de fenda" — ou seja, uma ferramenta para corrigir desajustes sem prejudicar as camadas mais vulneráveis da população.

"Serra elétrica vai machucar muita gente, como está acontecendo aí mundo afora. Não precisa disso. Se fizer o mesmo esforço que fez, preservando a base da pirâmide, a gente tem condição de ter crescimento sustentável", afirmou ao responder a uma pergunta sobre o futuro governo.

Segundo o ministro, principalmente por meio do corte de benefícios a empresários, os chamados gastos tributários, o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregará as contas primárias em condição próxima de zero, mesmo após herdar um déficit primário de R$ 230 bilhões do governo anterior em 2023.

"Não tenho receio do que precisa ser feito, do ponto de vista de preservação de direitos sociais importantes, que são caros a todos nós, mas, ao mesmo tempo, de dar uma resposta para a sustentabilidade fiscal", ressaltou Haddad.

Haddad comentou ainda que, enquanto é chamado de "gastão" pela direita, a esquerda o acusa de "austericida". "Como posso ser as duas coisas simultaneamente? Alguém está errado, e acho que os dois lados estão errados. O lado do austericida está erradíssimo... Tudo foi feito de maneira a preservar os direitos sociais. Mas, somando tudo com a proporção do PIB, caiu, porque a economia cresceu. Como a economia cresceu, esse gasto como proporção do PIB ficou um pouco menor", explicou aos estudantes de economia.