DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Celso Amorim alerta para gravidade do conflito no Oriente Médio

Assessor especial da Presidência prevê consequências inéditas e destaca risco de escalada global após morte de líder iraniano.

Publicado em 02/03/2026 às 19:57
Celso Amorim Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou em palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nesta segunda-feira (2) que o conflito no Oriente Médio "não vai ser um passeio". Segundo Amorim, a crise iniciada com a ação militar conjunta entre Estados Unidos e Israel, que resultou na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, tende a ser ainda mais grave do que a invasão americana ao Iraque em 2003, quando Saddam Hussein foi capturado.

"É difícil medir quais serão as consequências desse ataque, mas uma coisa é certa: essa guerra não vai ser um passeio. Não será uma guerra, creio eu, como foi em certo ponto a invasão do Iraque", afirmou o embaixador durante o evento na UFRJ.

Amorim destacou que, em mais de seis décadas de carreira diplomática, nunca presenciou um momento de tensão global tão intenso. Ele relembrou a Crise dos Mísseis, nos anos 1960, quando o mundo esteve à beira de uma Terceira Guerra Mundial, mas, à época, havia diálogo entre os líderes envolvidos.

"Quando a União Soviética colocou mísseis em Cuba, foram dias de grande aflição, mas era um tema e duas pessoas razoavelmente — não sei se racionais — mas eram pessoas que dialogavam uma com a outra. Foi possível encontrar uma solução que não foi a ideal para nenhum dos lados, mas serviu para acalmar o mundo", relatou Amorim.

Segundo o assessor especial de Lula, é improvável que o conflito se encerre rapidamente. Ele lembrou que, em entrevista ao jornal britânico Daily Mail neste domingo (1º), o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu que a operação militar duraria quatro semanas.

Ao abordar a morte de Khamenei, Amorim ressaltou que esta é a primeira vez que os Estados Unidos participam da morte de um líder de Estado no início de um conflito, sinalizando uma mudança perigosa na geopolítica internacional.

"O que estamos assistindo hoje é uma involução do cosmo para o caos. De um mundo com regras, ainda que defeituosas, injustas e assimétricas, para um mundo absolutamente sem regras", avaliou o assessor especial da Presidência.