SAÚDE

Estímulo Elétrico Craniano: Como funciona o novo tratamento de Bolsonaro, autorizado por Alexandre de Moraes

Por iMF Press Global Publicado em 02/03/2026 às 17:56
Estímulo Elétrico Craniano: Como funciona o novo tratamento de Bolsonaro, autorizado por Alexandre de Moraes




Essa terapia com estímulos elétricos ajuda a combater sintomas de ansiedade e depressão, no caso de Bolsonaro também será usada para amenizar crises de soluções, destaca o Pós PhD em Neurociências e membro do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Dr. Fabiano de Abreu Agrela


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja submetido ao tratamento de Estimulação Elétrica Craniana, conhecida pela sigla CES. A terapia é indicada para melhorar a qualidade do sono e auxiliar no controle da ansiedade, da depressão e das crises de soluço.

A decisão permite que o médico Ricardo Caiado tenha acesso às dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar, três vezes por semana, para a realização das sessões.

O que é a Estimulação Elétrica Craniana?
O Estímulo Elétrico Craniano é uma técnica de neuromodulação não invasiva que utiliza microcorrentes elétricas de baixa intensidade aplicadas por meio de pequenos clipes posicionados, geralmente, nas orelhas. O objetivo é modular a atividade elétrica cerebral e ajudar a restaurar o equilíbrio de circuitos relacionados ao humor, sono e regulação do sistema nervoso.

Diferentemente dos medicamentos, que atuam de forma sistêmica, a neuromodulação interfere diretamente nos padrões elétricos do cérebro, favorecendo a reorganização da comunicação entre neurônios.

“Essa terapia com estímulos elétricos ajuda a combater sintomas de ansiedade e depressão. No caso de Bolsonaro, também será usada para amenizar crises de soluços persistentes, que podem ter relação com desregulações do sistema nervoso”, explica o Pós PhD em Neurociências e membro do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

Como a técnica pode ajudar nos soluços persistentes?
O soluço é provocado por contrações involuntárias do diafragma, controladas pelo sistema nervoso. Quando persiste por mais de 48 horas, pode causar distúrbios do sono, perda de peso, fadiga e estresse psicológico.

Em quadros resistentes aos medicamentos tradicionais, a neuromodulação vem sendo estudada como alternativa complementar. Estudos indicam que a estimulação neural pode contribuir para regular os sinais nervosos responsáveis pelas contrações involuntárias, reduzindo frequência e intensidade das crises.

“A técnica pode influenciar neurotransmissores como serotonina e dopamina, substâncias diretamente ligadas à regulação do humor, ansiedade e sono”, destaca o Dr. Fabiano de Abreu, idealizador do GIP - Genetic Intelligence Project, dedicado a analisar mais de 500 predisposições genéticas relevantes, integra as maiores bases de dados científicas internacionais.

Benefícios e limites do procedimento:

- Melhora da qualidade do sono;
- Redução da ansiedade;
- Alívio de sintomas depressivos;
- Regulação da atividade cerebral.

Por ser um procedimento indolor, não invasivo e com baixo risco de efeitos colaterais, o CES tem ganhado espaço na neurologia e na psiquiatria como abordagem complementar.

“A neuromodulação não substitui tratamentos convencionais, mas pode ser associada a eles para ter melhores resultados, principalmente quando os sintomas persistem mesmo com o uso de medicamentos”, ressalta o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

No caso do ex-presidente, a defesa argumenta que a continuidade das sessões pode contribuir para o controle dos sintomas e melhorar sua qualidade de vida, especialmente diante do histórico recente de alterações neurológicas.