CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, esvazia com ataques no Oriente Médio

Publicado em 02/03/2026 às 16:57
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, amanheceu quase vazio nesta segunda-feira, 2, após a suspensão do tráfego aéreo provocada pelos ataques ao Irã e pelas medidas de segurança adotadas na região. Algumas companhias internacionais retomaram um número limitado de voos, mas a operação segue restrita.

A reabertura parcial trouxe alívio pontual a passageiros afetados pelo fechamento do espaço aéreo, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e a retaliação iraniana a alvos na região. Um saguão do aeroporto sofreu danos e quatro pessoas ficaram feridas na semana passada.

No ano passado, o aeroporto registrou recorde de 95,2 milhões de passageiros, consolidando-se como o segundo mais movimentado do mundo em viagens internacionais.

As companhias aéreas de longa distância Etihad Airways e Emirates, com sede em Abu Dhabi e Dubai, e a companhia aérea de baixo custo FlyDubai, disseram que operariam voos selecionados a partir do país, onde o tráfego aéreo foi suspenso no sábado, 28, e os sistemas de defesa interceptaram mísseis e drones iranianos.

O governo de Dubai orientou os passageiros a se dirigirem aos aeroportos somente se fossem contatados diretamente, durante o que classificou como uma "retomada limitada das operações". Mais de 80% dos voos programados de e para Dubai e mais da metade dos voos de e para Abu Dhabi permaneceram cancelados, de acordo com o site de rastreamento de voos FlightAware.

O que dizem as companhias aéreas?

Pelo menos 15 voos da Etihad decolaram do aeroporto de Abu Dhabi na segunda para ajudar na retirada de passageiros que estavam retidos na cidade, segundo o serviço de rastreamento FlightRadar24. Os voos seguiram para diversos destinos, incluindo Islamabad, Paris, Amsterdã, Mumbai, Cairo e Londres. No entanto, os voos comerciais regulares permaneceram cancelados.

A Emirates informou que também retomaria um número limitados de voos a partir desta noite, mas não ficou imediatamente claro se esses voos já haviam começado. A companhia aérea havia anunciado anteriormente a suspensão dos voos até 15h de terça-feira no horário local.

A correspondente da AP Julie Walker relata que viajantes ficaram retidos devido à expansão do conflito no Oriente Médio e que os governos se mobilizam para repatriar seus cidadãos.

A FlyDubai informou que operará quatro voos partindo da cidade e outros cinco voos chegando na segunda-feira. "Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades e partes interessadas competentes para garantir um regresso gradual e eficiente às operações", afirmou a empresa num comunicado enviado por e-mail. "A situação permanece dinâmica e continuamos a monitorizar atentamente a evolução, ajustando o nosso calendário em conformidade."

Com as viagens aéreas severamente limitadas em todo o Oriente Médio, o conflito que começou no sábado deixou viajantes retidos em vários países além de Irã e Israel. Turistas, viajantes a negócios e peregrinos religiosos se viram inesperadamente presos em hotéis, aeroportos e navios de cruzeiro.

O Aeroporto Internacional de Dubai, o Aeroporto Internacional Zayed em Abu Dhabi e o Aeroporto Internacional Hamad em Doha, no Catar, são importantes centros de conexão entre a Europa, a África e a Ásia. Os três aeroportos foram atingidos diretamente por ataques iranianos durante o fim de semana. Além das pessoas que planejavam viajar para ou da região, viajantes que estavam em trânsito em voos com múltiplas escalas também ficaram retidos.

O empresário indiano do setor de tecnologia Varun Krishnan estava a bordo de um voo da Qatar Airways no sábado, com destino a Barcelona para participar de uma conferência, quando a aeronave foi obrigada a retornar. Agora, ele é um dos muitos viajantes retidos em Doha.

A companhia aérea o hospedou em um hotel e estava fornecendo refeições, mas Krishnan disse que estava reconsiderando seus planos de participar do Mobile World Congress, uma importante feira comercial do setor de telecomunicações.

"Neste momento, não acho que esteja em condições mentais para trabalhar de lá", disse ele. "Se tiver essa opção, provavelmente pegarei o voo de volta para casa. Não penso mais em ir para Barcelona ou para o MWC, considerando o que passamos nos últimos dois ou três dias aqui."

A Qatar Airways, com sede em Doha, informou que seus voos permanecem suspensos e que a próxima atualização está prevista para a manhã de terça-feira. A Jordânia anunciou o fechamento parcial de seu espaço aéreo na segunda-feira, ampliando a instabilidade nas viagens na região.

Os governos orientaram os cidadãos retidos a permanecerem em suas casas enquanto as autoridades se mobilizavam para encontrar maneiras de levá-los de volta para casa.

Mais de 58 mil indonésios ficaram retidos na Arábia Saudita, onde visitavam os locais sagrados do Islã, Meca e Medina, em uma peregrinação Umrah durante o Ramadã.

"Tornou-se uma questão humanitária e logística urgente", disse Ichsan Marsha, porta-voz do Ministério do Hajj e da Umrah da Indonésia, que estava coordenando com as autoridades sauditas, companhias aéreas e operadores turísticos indonésios para organizar rotas alternativas ou voos reprogramados.

*Com Informações da Associated Press.