Famílias poderão produzir seus próprios alimentos dentro de condomínio, em Goiás
Condomínio horizontal, na Avenida São Paulo, terá primeira fazenda urbana em Goiás com 1000 m² em área de plantio. Iniciativa segue tendência norte-americana do agrihood, que oferece benefícios além da alimentação saudável: entenda
O conceito de agrihood - junção das palavras agriculture (agricultura) e neighborhood (bairro) - surgiu nos Estados Unidos e tem ganhado espaço em diferentes países como um modelo de desenvolvimento urbano que integra a produção de alimentos aos espaços residenciais. A proposta é simples e, ao mesmo tempo, transformadora: aproximar as pessoas da origem do que consomem, promovendo alimentação saudável, interação social e conexão com a natureza dentro das cidades.
Nos Estados Unidos, foi registrado um crescimento de mais de mil por cento entre 2014 e 2016, além de que um artigo publicado pela Associação Nacional dos Construtores Residenciais Norte Americanas, em 2024, aponta que os agrihoods (bairros agrícolas) seguem como uma tendência para os próximos anos para atender o interesse crescente por saúde, bem-estar e alimentação de qualidade acessível. Pela mesma motivação, esse conceito de bairro também se populariza no Brasil, segundo artigo publicado na Organização de Comida e Agricultura das Nações Unidas.
Mesmo em Goiás, estado reconhecido nacionalmente pela força do agronegócio, com o crescimento das cidades, muitas pessoas vivem sem qualquer contato direto com o cultivo de alimentos ou com a dinâmica da vida rural. Esse distanciamento é ainda maior na região metropolitana de Goiânia é, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,6 milhões de pessoas, 1,22% da população nacional.
É nesse contexto que o Parqville Figueira, em Aparecida de Goiânia, se revela uma proposta alinhada ao movimento global das agrihoods. O empreendimento, que será entregue aos moradores em no primeiro semestre de 2026, será o primeiro condomínio horizontal do estado a incorporar uma fazenda urbana em sua estrutura.
São mil metros quadrados destinados para o plantio de espécies como alface, rúcula, mandioca, milho, berinjela, açafrão, inhame, feijão, abobrinha verde, pimenta-do-reino, pepino, tomate, maxixe, além de temperos e ervas como erva-doce. São plantios típicos da roça, organizados em um sistema de rotação de culturas que respeita o solo e o tempo de cada espécie.
Ainda na fase de obras, a produção de alimentos orgânicos já iniciou. Os frutos da produção já podem ser colhidos pelos futuros moradores. Todos aos sábados, eles podem ir até a fazenda para colher a produção. “O objetivo desse espaço é associar a produção de alimentos à interação social e a alimentação saudável. Futuramente, ainda queremos promover programas educacionais ambientais envolvendo as crianças da comunidade, para perpetuar a consciência da importância de um projeto como esse para a saúde das pessoas e da natureza”, afirma Eduardo Oliveira, diretor da Cinq Inteligência Urbana, ao explicar que buscou inspiração em projetos americanos para desenvolver a ideia no Parqville Figueira..
O jardineiro Matheus Meira, de 23 anos, já foi contratado para executar os cuidados diários da plantação. “O manejo segue um cronograma de cuidados, com poda, limpeza e controle de pragas sem o uso de agrotóxicos, utilizando adubo orgânico produzido no próprio espaço”, explica.
Para ele, que cresceu em contato com o cultivo de alimentos e com a vida rural, a fazenda urbana representa uma ponte entre dois mundos. “Comparando com o modo como eu cresci, essa fazenda urbana aproxima muito os moradores de como é ter mais contato com esse tipo de natureza. É algo único, porque muita gente consome esses alimentos todos os dias, mas nunca viu de onde eles vêm”, destaca.
Para Eduardo Oliveira, recuperar esse tipo de convivência é essencial para o futuro das cidades. “A gente precisa devolver ao ser humano a experiência de viver em contato com a natureza. Isso impacta a saúde, o bem-estar, as relações sociais e até a forma como as pessoas se alimentam e educam seus filhos”, afirma
Vale ressaltar que o contato com a terra é considerado como uma atividade terapêutica, segundo estudo publicado pelo Instituto Americano de Estresse. O levantamento aponta que a prática pode proporcionar sensação de bem-estar, além de reduzir sintomas de estresse e ansiedade.
Ele explica que esse pensamento está ligado ao conceito de naturbanidade, uma ideia defendida pela Cinq. “Naturbanidade é o casamento entre natureza e cidade. Não se trata de escolher um ou outro, mas de integrar os dois de forma inteligente, criando espaços urbanos que ofereçam mais qualidade de vida, equilíbrio e pertencimento”, completa.