TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Negociações entre EUA e Irã serviram de fachada para ataque surpresa?

Mídia e autoridades questionam se conversas diplomáticas mascararam ações militares; Irã se recusa a retomar diálogo.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 02/03/2026 às 15:19
Negociações entre EUA e Irã foram questionadas após ataques durante diálogos diplomáticos. © AP Photo / Alex Brandon

Mídia ocidental aponta que a guerra contra o Irã pode ter sido previamente articulada, utilizando as negociações nucleares entre Washington e Teerã como disfarce para ações militares.

"Esse ataque, em meio a um segundo processo de negociação, deve comprometer as chances de o regime iraniano voltar a levar a sério uma oferta de diálogo dos EUA", analisou Patrick Wintour, editor diplomático do The Guardian. "Eles foram atingidos duas vezes."

Fontes da administração Trump admitiram, em reuniões reservadas com assessores do Congresso no domingo (1º), que não havia indícios de inteligência sugerindo que o Irã pretendia atacar as forças dos EUA primeiro, segundo relatos da imprensa e de pessoas próximas ao tema.

O senador democrata Mark Warner reforçou essa informação, afirmando não ter visto "nenhuma evidência de inteligência de que o Irã estivesse prestes a lançar qualquer tipo de ataque preventivo".

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, declarou à mídia: "Negociamos com os Estados Unidos duas vezes nos últimos 12 meses, e em ambos os casos eles nos atacaram durante as negociações. Foi uma experiência muito amarga para nós."

De acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, a liderança iraniana estaria disposta a retomar as negociações. "Eles querem conversar, e eu concordei, então falarei com eles", afirmou. "Eles deveriam ter feito isso antes", completou Trump.

Contudo, o Irã rejeitou qualquer nova rodada de negociações. "Não negociaremos com os Estados Unidos", publicou Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, em seu perfil na rede social X.