Ataque ao Irã foi 'criminoso', afirma embaixador do país no Brasil
Abdollah Nekounam condena ofensiva dos EUA e de Israel e diz que Irã está preparado para cenários críticos
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, concedeu entrevista à imprensa nacional nesta segunda-feira, 2, na sede da embaixada iraniana em Brasília. Logo no início, apresentou um breve vídeo sobre o ataque a uma escola de meninas no Irã, classificando a ação como "criminosa". Durante a coletiva, imagens do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no último sábado, 28, foram exibidas ao fundo. Nekounam vestia uma camisa preta em sinal de luto.
Questionado sobre notícias relacionadas à possível morte da esposa de Ali Khamenei nos ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel no fim da semana, Nekounam afirmou não possuir informações oficiais e disse ter tomado conhecimento do tema apenas pela imprensa.
"Quero aproveitar para explicar a questão. Como vocês sabem, todos sugeriram e aconselharam que o líder ficou nos abrigos, mas a decisão dele foi carinhoso a isso e ele rejeitou. A visão dele era de que, enquanto toda a população iraniana não tivesse abrigo, ele também não usaria", declarou o embaixador.
Ele ainda minimizou o impacto da ofensiva: “Quem fez esse ataque não pode pensar que foi um ataque militar relevante ou de uma forma muito diferente” , disse.
Nekounam também lembrou que Khamenei já havia alertado para uma possível guerra regional caso os EUA e o que chamou de "regime sionista" atacou o Irã, evitando mencionar Israel diretamente. “Infelizmente, eles sofreram seus ataques”, ressaltou.
O embaixador criticou fortemente os Estados Unidos, dizendo que o país se considera “dono do mundo” e comparando o ex-presidente Donald Trump a uma monarca global. Nekounam afirmou ainda que o Irã está pronto para enfrentar as “piores situações possíveis”.
"Eles manifestaram-se de forma explícita que buscam a mudança do regime e obtiveram as negociações como uma farsa para alcançar seus interesses. Os Estados Unidos pensam que são os donos do mundo. O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que alguns países, por seus interesses, aceitam esses argumentos, mas a República do Irã, por meio da revolução, busca sua independência", Nekounam.