Inadimplência cresce no início do ano, mas segue padrão sazonal, avalia presidente do Itaú
Milton Maluhy Filho destaca que aumento da inadimplência em janeiro é esperado e não foge do histórico dos anos anteriores.
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta segunda-feira, 2, que o início de 2024 registrou uma pressão mais intensa sobre a inadimplência no Brasil. Contudo, segundo o executivo, esse movimento é típico do período e não representa uma situação fora do comum se comparada a anos anteriores.
“Janeiro é um mês de compromissos importantes das famílias, então você acaba tendo um impacto maior na inadimplência, que depois tende a normalizar”, explicou Maluhy durante painel do evento RUMOS.
O presidente do Itaú ressaltou que, apesar do aumento da massa salarial no país, há também um maior comprometimento da renda das famílias. Para ele, controlar a inflação é fundamental, pois ela representa o imposto mais severo para as classes mais baixas. “A transferência de renda perde efetividade se a inflação não estiver controlada”, destacou, acrescentando que o atual nível de comprometimento da renda “não é sustentável”.
Maluhy também reconheceu os avanços do mercado de capitais brasileiro, que amplia as possibilidades de crédito para empresas e desafoga o balanço dos bancos. No entanto, defendeu a necessidade de reformas fiscais estruturantes para garantir o crescimento sustentável. “Deixar de lado a despesa da dívida é ignorar uma conta gigantesca que tem que ser paga todos os anos”, afirmou. “O fiscal e o social precisam andar de mãos dadas. Se o fiscal não for bem feito, você não consegue ter um social sustentável”, concluiu.